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As lições de um empreendedor em série que inova há 25 anos

As lições de um empreendedor em série que inova há 25 anos

A jornada e os insights de Barry Collier: há décadas, ele cria e investe em soluções em escala para problemas complexos
Legenda da foto

Com 25 anos de experiência no desenvolvimento de produtos e plataformas premiados, Barry Collier é um empreendedor nato. Hoje, ele é CTO da DRINKS – uma das empresas da qual também foi cofundador. Mas essa é apenas uma entre as muitas histórias que o executivo tem para contar.

Collier deu vida a negócios de sucesso que ganharam escala e, inclusive, foram adquiridos por outras empresas. Exemplos disso são a Hydra, plataforma de anúncios digitais de mais de US$ 100 milhões, a Urbaniacs e a Neopets que, sob sua liderança, em pouco mais de 2 anos conquistou mais de 30 milhões de jogadores. Não por acaso, ele também é mentor, conselheiro e investidor-anjo em mais de 30 startups.

Mas de onde vem tamanha gana para empreender? Para Collier, esse impulso pode estar relacionado ao contexto em que cresceu. “Venho de uma família que não teve muito dinheiro e, ao longo das gerações, ninguém frequentou a escola. Todos com quem convivi, de alguma forma, encontraram maneiras de ganhar a vida e criaram seus próprios negócios”, conta.

Como exemplo, ele cita o avô, que trabalhava com alvenaria. A escala é menor, é claro, mas o espírito empreendedor é o mesmo. “Na época, eu não percebia que ele também era um empreendedor que, por conta própria, buscava um caminho”, reflete. “Eu também era muito curioso e gostava de estabelecer minha própria estrutura, em vez de viver dentro da estrutura alheia – gosto de encontrar maneiras de explorar, experimentar e deixar minhas curiosidades fluírem.”

Naturalmente, a relação do empreendedor com os negócios nos quais investe mudou muito ao longo dos anos. Ele conta que, no começo, o que importava era o potencial de sucesso de uma ideia. Hoje, entretanto, busca apoiar negócios alinhados com o impacto que busca gerar: Collier busca problemas e desafios maiores, mais difíceis de serem solucionados, mas com pessoas que têm o intuito de encontrar formas de resolvê-los. Por isso, hoje o empreendedor não necessariamente busca negócios alinhados a tendências que estão em alta – como jogos ou e-commerce, segmentos em que já investiu e teve sucesso.

Por isso, hoje Collier faz investimentos-anjo, orienta e aconselha empreendedores. “Não preciso necessariamente ser o responsável por resolver o problema, mas posso ajudar, treinar e orientar outros empreendedores que tenham a paixão por buscar soluções; posso ser um recurso para eles”, argumenta.

Empreendedorismo e cultura

A decisão de apoiar pessoas que já são apaixonadas por uma ideia, ele conta, surgiu a partir da própria experiência. Em 2012, junto a dois parceiros, Collier criou diferentes negócios, a partir de um modelo que consiste em desenvolver diferentes projetos em paralelo, criando o Mínimo Produto Viável (MVP) de cada um deles.

Na época, a ideia de Collier era contratar uma equipe para desenvolver as ideias já testadas e com potencial comprovado. Mas ele percebeu que tal estratégia não funcionaria: “A equipe e o CEO desses modelos de negócio precisam participar desde o início, pois têm que ter paixão pela essa ideia”, argumenta. Por isso, ele assumiu o trabalho executivo da DRINKS, junto aos parceiros. “Ninguém mais poderia fazer como nós, porque já tínhamos a ideia e tínhamos paixão por isso”, defende.

Mas isso não significa que a empresa deve ficar sempre dependente dos empreendedores. Ele considera que há dois estágios pelos quais passam as startups: em estágio inicial, é essencial contar com o idealizador; depois, pode-se trazer um novo CEO. Ou seja, passado o estágio inicial, torna-se possível mudar a equipe executiva, ampliando o potencial de ampliação do negócio.

Cultura é um dos fatores que desafiam as estratégias das empresas – seja uma startup, seja uma grande corporação. Afinal, é algo que independe da vontade de quem a lidera: a cultura é moldada de acordo com a maneira como pessoas interagem umas com as outras, a partir do que é permitido e incentivado dentro da organização e pode ser influenciada até mesmo pela adoção tecnológica de um determinado negócio. Ou seja, se um empreendedor não se dedicar a definir a cultura da empresa que está criando, ela se definirá de forma independente – e pode não ser da forma como se esperava”, defende Collier.

Liderança

A cultura de uma empresa impacta diferentes stakeholders. Por isso, é fundamental ter clareza a respeito dos princípios que devem nortear a atuação de uma organização. Nesse sentido, para Collier, a humildade é um valor fundamental e prioritário. “Na minha opinião, humildade é um superpoder”, defende. “É ela que me permite tomar uma decisão sem medo, porque erros acontecem, não são um problema”. Em complemento, ele cita dois outros valores: empatia e integridade. “Eu tento aplicá-los a toda situação, tanto para mim mesmo quanto para os outros”, diz.

É claro que isso vale também para a experiência do cliente – ainda que de forma indireta, os valores de uma empresa podem ser percebidos em diferentes pontos da jornada. “Os valores dependem de cada negócio, mas é preciso saber que, sejam quais forem, eles vão estar presentes nos produtos que a empresa cria, desenvolve e entrega e na comunicação com os clientes”, afirma Collier. “Clientes conseguem perceber caso uma empresa não seja autêntica, genuína. Eles percebem quando estão sendo manipulados ou algo nesse sentido.”

Como exemplo, ele conta o caso de um negócio do qual é investidor. Em meio a muitos feedbacks positivos, o serviço de pós-venda dessa empresa recebeu uma crítica. A situação era atípica, então, Collier entrou em contato com o fundador e destacou que essa situação era justamente um reflexo dos valores dele e da empresa. “Não é apenas sobre uma situação, mas sobre tudo o que está relacionado a ela”, disse.

Por isso, ele acredita na necessidade de refletir a respeito das críticas e de dar o benefício da dúvida ao cliente. “Eles não acreditaram no cliente e simplesmente passaram a não se comunicar com ele. Isso é errado, é preciso entender a motivação do consumidor”, conta. “Há um velho ditado que diz que a forma como você faz uma coisa é como você fará tudo, ou seja, da mesma forma como se trata um cliente, poderá tratar todos os outros em algum momento”. Portanto, não se pode normalizar uma atitude errada. “Não importa se é um cliente fiel ou não; sé uma pessoa gentil por natureza ou não. Nada disso importa. Deve-se tratar a todos com respeito e integridade”, defende.

Depois da conversa com Collier, o empreendedor entrou em contato com o cliente, pediu desculpas e repassou a mensagem à equipe de suporte ao cliente, com o intuito de tirá-los da posição defensiva que vinham adotando.

Visão de futuro

Geração Z

  • RELAÇÃO COM A TECNOLOGIA: Observe como a Geração Z interage com a tecnologia e as mídias sociais. Eles são a primeira geração completamente nativa digital e sua relação com a tecnologia será fundamental para entender o futuro.
  • ORIENTAÇÃO PARENTAL: Fornecer aos jovens ferramentas para o pensamento crítico é mais valioso do que tentar restringir o acesso à tecnologia. Ser uma “voz na cabeça” deles, oferecendo orientação e apoio, é crucial. A presença parental e a orientação podem não ser a norma devido às exigências da vida moderna, mas são fundamentais para o desenvolvimento saudável da Geração Z.
  • SER NATIVO DIGITAL TAMBÉM É BOM: Apesar dos desafios, ser nativo digital tem seus benefícios, preparando melhor a Geração Z para o mundo tecnológico em que vivemos

IA

  • INSIGHTS SOCIAIS: Trabalhar com IA oferece insights valiosos sobre a percepção humana e abre novas possibilidades para a interação entre humanos e tecnologia.
  • PREOCUPAÇÕES: A IA generativa traz grandes mudanças, mas também preocupações significativas, especialmente relacionadas à política e ao uso de propaganda e manipulação em larga escala.
  • EQUILÍBRIO E DESAFIOS: A IA generativa pode libertar os humanos de tarefas opressivas, mas encontrar o equilíbrio certo para seu uso é um desafio importante para o futuro.
  • COLABORAÇÃO NAS EMPRESAS: As empresas devem adotar uma abordagem intencional e colaborativa ao utilizar a IA, compartilhando experiências e conhecimentos entre departamentos para maximizar seu potencial.
  • PENSAMENTO CRÍTICO: Encorajar um pensamento crítico mais amplo na sociedade é vital para garantir que as pessoas não caiam na armadilha de acreditar cegamente em tudo que veem ou, inversamente, desconfiar de tudo.
  • ADAPTAÇÃO: Como sociedade, devemos estar abertos a adaptar e adotar a IA de maneiras que promovam o bem-estar coletivo, mantendo-se vigilantes quanto aos seus riscos e desafios.

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CAPA: Rhauan Porfírio
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