/
/
As jornadas (do consumidor) por caminhos tortos que nos são impostos

As jornadas (do consumidor) por caminhos tortos que nos são impostos

A tecnologia vem assumindo já faz tempo a dianteira como principal medidor de sucesso na jornada do consumidor, mas nem sempre trazem excelência
Legenda da foto

Há tantos estudos, investimento e obsessão pela jornada do consumidor. Busca-se traçar todos os possíveis atalhos e caminhos que o cliente pode assumir, prever e então facilitar sua trajetória até a efetivação da compra e a confirmação do dispêndio do valor acordado.

Mas a partir daí: tanto faz! Parece que esqueceram de desenhar, planejar e atender o restante da trajetória.  É quase como assistir a um filme que só foi filmado pela metade, em muitos casos,  como uma montanha russa sem todo o percurso.

O que para nós, meros mortais consumidores, ainda faz parte da experiência, já não mais é considerada responsabilidade pelos marqueteiros, vendedores e planejadores modernos que desvendam o mundo através de algoritmos. A partir do momento que é efetivada a venda, não existe mais o vínculo com o cliente, a relação volta a ser uma via única onde só existe o contato quando a corporação por algum motivo decide comunicar algo ao consumidor.

O digital e todas suas caixas pretas e algoritmos nem sempre conseguem trazer excelência no relacionamento entre as empresas e os consumidores. Em vez disso, ainda pode blindar qualquer tentativa de aproximação.

A evolução dos SAC’s continua sendo divulgada, implantada e implementada. Já estamos na corrida para chegar ao patamar 5.0. A tecnologia vem assumindo já faz tempo a dianteira e é o principal medidor de sucesso nesta área. Mas continuam tropeçando na premissa básica: o acesso do consumidor à empresa.

Métricas proprietárias e outras emprestadas são usadas muitas vezes só para cumprir protocolos e fazer medições,  espalhando a confortável sensação de controle. E ao mergulhar nos números novamente, há o afastamento do problema raiz, que é a dificuldade de estabelecer contato com a empresa.

Independente doa dificuldade original, das médias e valores obtidos nos SAT’s, CES’s e NPS’s – que parecem não refletir o próximo passo já delineado em tantas jornadas –, a coordenada que o consumidor quer ou precisa estabelecer contato com a empresa.

Com tanta tecnologia, bots, chats, só distanciam o consumidor da resolução da sua questão central, e que certamente neste ponto já passou a ser um problema – e quando na realidade poderia ter sido resolvido muito antes de crescer e se transformar em um problema real.

Nubank
O Nubank, tão bem avaliado em seu atendimento ao cliente, tem grande parte dele feito digitalmente. E há apenas uma camada a mais de atendimento.

O Nubank, tão bem avaliado em seu atendimento ao cliente, tem grande parte dele feito digitalmente. E há apenas uma camada a mais de atendimento.  Nela, é possível direcionar assertivamente este atendimento, com a facilidade de orientar inclusive para o atendimento humano,  caso suas necessidades não sejam resolvidas pelos robôs.

Um nível a mais de atendimento consegue esvaziar as questões na raiz, na fonte e não deixar um pequeno issue ou dúvida se transformar em uma grande dor de cabeça. Inicialmente para o cliente e, caso seja um cidadão consciente que tenha tempo para entrar nesta gincana, podendo virar um grande problema para a empresa.

E o processo vai muito além. Não entendo, por exemplo, os esforços dissonantes da Academia Bio Ritmo.  Acredito que esteja sofrendo durante o período da pandemia, como tantas outras empresas e segmentos. É verdade que existe muito dinheiro envolvido na retenção dos clientes,  o que abre precedentes. Mas eles se esqueceram de treinar e empoderar a comissão de frente. E, mais uma vez os processos não conversam, as pessoas não se interam, não se integram e não se responsabilizam pelo óbvio:  não procuram resolver, embaçam o processo, e o pior, reincidem no comportamento abominável de desrespeito e pouco caso com o outro.

Resumo da ópera: inúmeros casos, em que o que há é dissonância,  a comissão de frente e a bateria não parecem trabalhar em harmonia nem no mesmo ritmo e sem objetivo em comum. Há desde robôs humanos que não pensam, não agem nem reagem, não fazem acontecer e ficam correndo atrás de números, metas (as tais das métricas), aos que se esquecem de serem empáticos, de se colocar no lugar do outro, e somente ouvir. É a antiga arte de escutar.

Retorno para o ponto inicial do texto.  Saímos de um incipiente serviço de atendimento ao cliente para departamentos inteiros chamados de Customer Success – liderados por profissionais do C-level finalmente com budget próprio, metas e premissas e que morrem na praia, pois se esquecem de destrancar os portões, descer as pontes, abrir as janelas e descer de suas torres reconectando o castelo à comunidade e exercendo o poder de relacionar-se no sentido mais amplo de sua descrição.

Significado de Relacionar: v.t. 1. Elaborar a relação de; colocar em lista; alistar, enumerar ou inventariar; 2. Relatar, descrever, especificar ou expor; 3. Determinar ou definir conexão ou afinidade entre; conectar ou ligar; 4. Fazer com que conquiste ou consiga obter convívio, intimidade ou amizade; v.pron. 5. Possuir contacto ou convívio social com; 6. Estar relacionado (com); ter a ver (com); ser respeitante (a). (Etm. do latim: relatiōne + ar).

*Evelyn Rozenbaum é psicóloga, pesquisadora, consultora e professora de MBA de inteligência de consumo e marketing e CEO da Usina de Pesquisa.


+ Notícias

Os 5 fatores críticos de sucesso para a experiência do cliente

Shoppings começam a voltar com tudo com seus superapps

Compartilhe essa notícia:

Recomendadas

MAIS +

Veja mais noticias

Finalista no Prêmio Consumidor Moderno 2026, Globoplay aposta em personalização, fandoms e experiências para se conectar com o publico.
Play, memes e comunidade: como o Globoplay entrou na rotina dos brasileiros
Finalista na categoria Empresa do Ano do Prêmio Consumidor Moderno 2026, plataforma aposta em personalização, fandoms e conexão emocional para criar vínculo.
Henrique Azeredo, fundador e CEO do Patties.
Boteco da CM: Como o Patties transformou simplicidade em marca cult
Henrique Azeredo, fundador e CEO do Patties, compartilha o processo de criação e os aprendizados da hamburgueria que transformou autenticidade em experiência.
Estudo da CX Brain analisa como a experiência do cliente é, antes de tudo, um reflexo da experiência e saúde mental do colaborador.
Saúde mental dos colaboradores é ativo estratégico para o CX
Estudo da CX Brain analisa como a experiência do cliente é, antes de tudo, um reflexo da experiência do colaborador.
Para o CEO do PagBank, o maior desafio do cargo é escalar eficiência sem perder proximidade com o cliente e transformar experiência em estratégia de crescimento.
Tecnologia e humanização: a chave para liderar na nova era da experiência do cliente
Para o CEO do PagBank, o maior desafio do cargo é escalar eficiência sem perder proximidade com o cliente e transformar experiência em estratégia de crescimento.

Webstories

SUMÁRIO – Edição 296

A evolução do consumidor traz uma série de desafios inéditos, inclusive para os modelos de gestão corporativa. A Consumidor Moderno tornou-se especialista em entender essas mutações e identificar tendências. Como um ecossistema de conteúdo multiplataforma, temos o inabalável compromisso de traduzir essa expertise para o mundo empresarial assimilar a importância da inserção do consumidor no centro de suas decisões e estratégias.

A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

A IA chega para acelerar e exponencializar os negócios e seus processos. Mas o CX é para sempre, e fará a diferença nas relações com os clientes.

CAPA: Rhauan Porfírio
IMAGEM: IA Generativa | ChatGPT


Publisher
Roberto Meir

Diretor-Executivo de Conhecimento
Jacques Meir
[email protected]

Diretora-Executiva
Lucimara Fiorin
[email protected]

COMERCIAL E PUBLICIDADE
Gerentes

Daniela Calvo
[email protected]

Elisabete Almeida
[email protected]

Érica Issa
[email protected]

Gustavo Bittencourt
[email protected]

Juliana Carvalho
[email protected]

Marcelo Malzoni
[email protected]

NÚCLEO DE CONTEÚDO
Head de Conteúdo
Larissa Sant’Ana
[email protected]

Editora do Portal 
Júlia Fregonese
[email protected]

Produtores de Conteúdo
Bianca Alvarenga
Danielle Ruas 
Jéssica Chalegra
Marcelo Brandão
Victoria Pirolla

Head de Arte
Camila Nascimento
[email protected]

Revisão
Elani Cardoso

COMUNICAÇÃO E MARKETING
Coordenadoras
Nayara Manfredi
Paula Coutinho

TECNOLOGIA
Gerente

Ricardo Domingues


CONSUMIDOR MODERNO
é uma publicação da Padrão Editorial Ltda.
www.gpadrao.com.br
Rua Ceará, 62 – Higienópolis
Brasil – São Paulo – SP – 01234-010
Telefone: +55 (11) 3125-2244
A editora não se responsabiliza pelos conceitos emitidos nos artigos ou nas matérias assinadas. A reprodução do conteúdo editorial desta revista só será permitida com autorização da Editora ou com citação da fonte.
Todos os direitos reservados e protegidos pelas leis do copyright,
sendo vedada a reprodução no todo ou em parte dos textos
publicados nesta revista, salvo expresso
consentimento dos seus editores.
Padrão Editorial Ltda.
Consumidor Moderno ISSN 1413-1226

NA INTERNET
Acesse diariamente o portal
www.consumidormoderno.com.br
e tenha acesso a um conteúdo multiformato
sempre original, instigante e provocador
sobre todos os assuntos relativos ao
comportamento do consumidor e à inteligência
relacional, incluindo tendências, experiência,
jornada do cliente, tecnologias, defesa do
consumidor, nova consciência, gestão e inovação.

PUBLICIDADE
Anuncie na Consumidor Moderno e tenha
o melhor retorno de leitores qualificados
e informados do Brasil.

PARA INFORMAÇÕES SOBRE ORÇAMENTOS:
[email protected]

Rebeca Andrade – Ensinamentos e Aprendizados O futuro do entretenimento no Brasil NBA é a melhor experiência esportiva do mundo Grupo Boticário, em parceria com a Mercur, distribui gratuitamente produtos inclusivos.