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36% dos brasileiros enfrentaram golpes bancários em 2024

36% dos brasileiros enfrentaram golpes bancários em 2024

Para tentar conter os golpes digitais, o MJSP e a Febraban estabeleceram a Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias e Digitais.
Para tentar conter os golpes digitais, o MJSP e a Febraban estabeleceram a Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias e Digitais.
Para tentar conter os golpes digitais, o MJSP e a Febraban estabeleceram a Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias e Digitais.
Foto: Shutterstock.

No Brasil, os golpes bancários não param de crescer. Dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) comprovam que 36% dos brasileiros sofreram golpes ou fraudes de cartões bancários ao longo de 2024. Pessoas com 60 anos ou mais, que têm pouco contato com os meios digitais, se tornaram as principais vítimas. Em suma, elas são as mais vulneráveis a esse tipo de crime.

Os crimes mais frequentes incluem a clonagem ou troca de cartões bancários (44%), o golpe da falsa central de cartões (32%) e pedidos de dinheiro por supostos conhecidos no WhatsApp (31%).

A falta de conhecimento sobre os golpes digitais e a ausência de uma educação financeira adequada contribuem para a perpetuação desse cenário. Muitas vezes, as vítimas não reconhecem os sinais de uma possível fraude, como e-mails ou mensagens suspeitas que solicitam informações pessoais.

Os golpes mais frequentes

Somente a clonagem ou troca de cartão representaram 44% dos crimes envolvendo o sistema financeiro. Outros 32% sofreram o golpe da falsa central de cartões. A Febraban alerta que o crime que mais tem crescido nos últimos anos é o pedido de dinheiro por supostos conhecidos via aplicativos de mensagem. Esse tipo de crime representou 31% dos casos no ano passado.

Agora, o mais novo golpe é chamado Comprovante Spray. Através dele, golpistas enviam comprovantes de pagamentos falsos em plataformas digitais. Essas pessoas elaboram documentos fraudulentos de forma a parecerem autênticos, enganando muitos consumidores despreparados. Os golpistas utilizam técnicas de edição que tornam difícil para um usuário comum identificar a falsificação. Normalmente, as vítimas recebem esses comprovantes por e-mail ou mensagens instantâneas, acompanhados de solicitações de pagamentos em serviços de venda de produtos ou serviços.

O golpe tem se espalhado nas redes sociais, uma vez que pode permitir que o infrator obtenha acesso remoto ao celular ou ao computador da vítima. O Comprovante Spray utiliza a chamada engenharia social, estratégia que manipula as pessoas para que revelem informações confidenciais, como senhas e dados bancários. Em vez de invadir sistemas com tecnologia avançada ou recorrer a ameaças, os golpistas aproveitam a confiança, o medo ou a urgência da vítima para enganá-la.

O nome “Comprovante Spray” foi criado a partir da analogia entre a maneira como os criminosos “distribuem” arquivos maliciosos para diversas vítimas e a forma como um spray se dispersa em várias direções. Eles enviam esses arquivos camuflados como comprovantes bancários para um grande número de pessoas, na expectativa de que algumas delas caiam na armadilha e realizem o download do arquivo. Assim que a vítima abre o arquivo malicioso, ele começa a agir sem que ela perceba.

Aliança Nacional contra golpes

Lilian Cintra de Melo, secretária de Direitos Digitais do MJSP.

Na tentativa de resolver os golpes financeiros, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, em conjunto com a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) lançaram no dia 18 de fevereiro a Aliança Nacional de Combate a Fraudes Bancárias e Digitais. Em suma, a iniciativa visa tanto a prevenção quanto a repressão a golpes e crimes cibernéticos.

A secretária de Direitos Digitais, Lilian Cintra de Melo, explicou no evento de lançamento da Aliança que um acordo técnico estabelecido em setembro de 2024 entre o MJSP e a Febraban resultou na criação da Aliança.

Um Comitê Gestor, composto pela pasta da Justiça e pela Federação, será responsável por definir as diretrizes do acordo. Serão realizados fóruns de discussão a cada dois meses para avaliar as ações e acompanhar o progresso das iniciativas propostas. Ao final, três grupos temáticos serão responsáveis por delinear estratégias para as ações selecionadas, cada um focado em um tema prioritário definido pelo grupo de trabalho.

Os grupos de trabalho

O primeiro grupo se dedicará ao desenvolvimento de boas práticas para prevenção, detecção e resposta, por meio de campanhas de conscientização e investimentos na melhoria da identificação de identidade para a abertura de contas eletrônicas. O segundo buscará aprimorar os critérios e protocolos para o compartilhamento e a gestão de dados. A ideia é melhorar a Plataforma Tentáculos, desenvolvida pela Febraban e pela Polícia Federal em 2018. A Plataforma já resultou em 200 operações, 445 mandados de busca e apreensão e 85 prisões.

Por fim, o terceiro grupo focará no atendimento a vítimas e na capacitação de agentes. Entre as iniciativas em desenvolvimento estão a centralização de canais de denúncia e a criação de protocolos de atendimento para crimes cibernéticos nas delegacias.

Colaboração

Presidente da Febraban, Isaac Sidney.

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, ressaltou a colaboração entre os setores público e privado. “A resposta mais eficiente à criminalidade é aquela que se fundamenta em inteligência, capacidade técnica e na implementação de medidas de prevenção, detecção e, finalmente, repressão. A Aliança sintetiza esses objetivos e atende a uma demanda da sociedade por um ambiente virtual mais seguro e confiável, onde a impunidade não prevaleça”, declarou.

Por sua vez, o presidente da Febraban, Isaac Sidney, comparou o aumento dos crimes virtuais a uma epidemia. Ele enfatizou que, para contê-la, há necessidade de articulação entre os diversos setores da sociedade.

Dessa forma, embora a Aliança seja coordenada pelo MJSP e pela Febraban, com a colaboração da Polícia Federal, ela conta com a participação de representantes de outras áreas. Entre eles, tecnologia da informação, telecomunicações e varejo.

“Diversos segmentos do setor privado estão representados, como o setor bancário, financeiro, indústria de pagamentos e tecnologia da informação. As esferas do poder público, incluindo suas frentes reguladoras e forças de segurança, também estão presentes. Isso demonstra que a Aliança é não apenas plural e diversificada, mas também multifacetada”, destacou Sidney.

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