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La Cittá Nuova: os futuristas e a cidade do futuro

La Cittá Nuova: os futuristas e a cidade do futuro

"As necessidades das gerações futuras não podem ser atendidas pelas ideias do presente e deve haver espaço para que a cidade seja transformada no futuro"

O dicionário Oxford define utopia como sendo um lugar (ou um estado) imaginário em que tudo é perfeito. A sociedade perfeita era exatamente o que uma porção de artistas modernistas, arquitetos e escritores buscavam no começo do século 20. Um dos movimentos mais extremistas era o futurismo italiano, que nasceu em 1909 com a publicação do Manifesto Futurista, escrito pelo seu fundador (e seu líder ideológico), Filippo Tommaso Marinetti.

No manifesto, Marinetti elogiava o caos, o ritmo acelerado e as novas tecnologias da era moderna e rejeitava museus, bibliotecas, academias de arte e tudo o que cultivasse o velho mundo pré-industrial. Na Itália, o passado era glorificado e o futurismo era uma rebelião contra a estética italiana e o modo como a sociedade do país cultivava sua própria história. O futurismo era baseado em uma crença que entendia a cultura como obsoleta.

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Outra figura importante no movimento foi o arquiteto Antonio Sant’Elia. Ele lutou para seguir os ideais futuristas em sua arquitetura, especialmente o desejo de não olhar para o passado e se mover em direção ao futuro ajudado por máquinas e tecnologias. Com base em uma ideologia futurista, Sant’Elia criou La Città Nuova (a cidade nova), uma metrópole utópica na qual cada geração deveria destruir e reconstruir.

Os desenhos de Sant’Elia de La Città Nuova eram claramente inspirados por uma máquina servindo à humanidade. As ruas da cidade eram no subsolo e todos os prédios eram equipados com elevadores. Além disso, eles eram simples, quase inexpressivos, já que todo tipo de decoração era considerado desnecessário. La Città Nuova nunca saiu do papel. Ainda assim, a influência de Sant’Elia ainda pode ser vista. A “impermanência” ainda é um assunto quente na arquitetura moderna, representando a ideia de que as construções podem ser adaptadas às necessidades do tempo, assim como o arquiteto italiano imaginou.

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As necessidades das gerações futuras não podem, muitas vezes, ser atendidas pelas ideias do presente e, portanto, deve haver espaço para que a cidade seja transformada por pessoas que irão viver nela depois de nós. Essa é uma ideia que arquitetos e planejadores do mundo inteiro abraçaram e, em muitas cidades grandes, a arquitetura não permanente se tornou parte da paisagem urbana.

As visões futuristas das reações entre homem e máquina como algo simbiótico também era algo à frente daqueles tempos. Entre outras coisas, antecipavam a fusão de corpo e tecnologia que vemos hoje, por exemplo, em próteses biônicas, marcapassos e outros implantes que melhoram o corpo. Em outros círculos, também encontramos uma glorificação do potencial de máquinas e tecnologia. O famoso futurista Ray Kurzweil e seus colegas na Singularity University (Universidade da Singularidade), por exemplo, acreditam que avanços na tecnologia, especialmente em inteligência artificial, levarão a uma reestruturação massiva da civilização já nas próximas décadas. Ainda que a tecnologia seja bem diferente da imaginada por Marinetti e Sant’Elia, a ideia básica não está longe do que se pode ler mais de um século depois do antigo Manifesto Futurista.

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