O Dia da Internet Segura (Safer Internet Day) é celebrado anualmente na segunda terça-feira de fevereiro com o objetivo de promover o uso ético, responsável e seguro da tecnologia.
Criada em 2003 pela rede europeia Insafe-INHOPE e celebrada em mais de 200 países, a iniciativa tem ganhado relevância no Brasil, com mobilização coordenada pela SaferNet Brasil e pelo NIC.br/CGI.br. Principalmente agora, diante do avanço acelerado da Inteligência Artificial Generativa, do aumento de golpes digitais e da circulação de conteúdos falsos cada vez mais realistas, como deepfakes.
Neste ano, a data será marcada por ações voltadas à conscientização sobre proteção de dados, cibersegurança, respeito no ambiente virtual e uso positivo da rede. O tema reforça o combate ao ciberbullying e a promoção da cidadania digital. Pontos que impactam diretamente a experiência do consumidor em redes sociais, marketplaces, aplicativos de mensagens e serviços digitais.
Por exemplo, ferramentas de IA generativa e agentes de IA já permitem a criação de vídeos e áudios hiper-realistas. Eles são capazes de simular rostos, vozes e comportamentos humanos com alto grau de precisão. Embora essas tecnologias tragam ganhos para comunicação, entretenimento e inovação, seu uso indevido tem ampliado riscos diretos para o consumidor. Entre eles, fraudes financeiras, roubo de identidade, golpes em compras online e manipulação de informações em ambientes digitais.
Deepfakes versus internet segura
De acordo com o Identity Fraud Report 2025–2026, ataques envolvendo deepfakes cresceram 126% no Brasil em 2025.


Do total de deepfakes detectados na América Latina, 39% tiveram como alvo empresas e consumidores brasileiros, especialmente nos setores de fintechs, bancos e apostas online.
O relatório aponta que a sofisticação das fraudes é impulsionada pela Inteligência Artificial, usada para forjar rostos, vozes e documentos. Um contexto agravado pela multiplicidade de documentos de identificação no País.
“A evolução da IA possibilitou a criação de conteúdos falsos praticamente indistinguíveis da realidade. Deepfakes deixaram de ser apenas uma ameaça teórica e já são usados em fraudes financeiras e na manipulação de opinião pública. Para o consumidor, a defesa começa pela educação digital e pela verificação crítica de qualquer informação recebida. Especialmente em períodos eleitorais”, afirma Lucas Monteiro, especialista em tecnologia da Keyrus, consultoria internacional especializada em Inteligência de Dados e Transformação Digital.

Brasil entre os países mais atacados do mundo
O ambiente digital brasileiro também figura entre os mais visados por cibercriminosos. Apenas no primeiro semestre de 2025, o País registrou 315 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos. O número é equivalente a 84% de todas as investidas na América Latina, segundo relatório da DeepStrike. Desse total, foram contabilizados 309 bilhões de ataques DDoS. E mais: foram 41,9 milhões de malwares e 28,1 mil ataques de ransomware, com média semanal de 2.766 tentativas por empresa.
O mesmo levantamento posiciona o Brasil como o 7º mais atacado do mundo em 2025. O País está atrás apenas de Estados Unidos, Ucrânia, Israel, Japão, Reino Unido e Arábia Saudita. Para o consumidor, esse cenário se traduz em riscos como:
- Vazamento de dados.
- Instabilidade de serviços digitais.
- Golpes em plataformas de e-commerce.
- Clonagem de contas em redes sociais.
Eleições, fake news e desinformação

Em outubro de 2026, mais de 155 milhões de brasileiros irão às urnas para eleger presidente, governadores e deputados. Diante do avanço da desinformação, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) aprovou a Resolução nº 23.732/2024, que proíbe o uso de deepfakes em campanhas eleitorais, classificando como ilícitos conteúdos produzidos por IA com manipulação fraudulenta de imagem ou voz para enganar ou desacreditar pessoas.
“Hoje falamos tanto sobre internet segura porque a internet se tornou uma necessidade básica. Tem quem prefira que alguém invada sua casa e roube algo do que entre na sua conta do Instagram e apague todas as suas postagens, por exemplo. Em outras palavras, para muitas pessoas, o impacto emocional e financeiro da perda digital já é enorme”, afirma Kenneth Corrêa, especialista em dados, professor de MBA da Fundação Getulio Vargas (FGV) e autor do livro Organizações Cognitivas: Alavancando o Poder da IA Generativa e dos Agentes Inteligentes.
Kenneth cita ainda um levantamento do Instituto Locomotiva que indica que quase 90% dos brasileiros afirmam já ter acreditado em fake news. Ademais, 63% desses conteúdos estavam relacionados a propostas ou temas eleitorais. Em síntese, na visão do especialista, o consumidor está claramente exposto a um alto nível de desinformação.
Crianças conectadas cada vez mais cedo
A relação do consumidor com a internet começa cedo. A St. Nicholas School, uma das principais escolas internacionais do Brasil, com unidades em Pinheiros e Alphaville, na Grande São Paulo, referência em educação internacional e no currículo IB (International Baccalaureate) há mais de 25 anos, realizou a pesquisa “Mapping the use of technology by children and adolescents”.

O estudo ouviu 232 famílias (60% da comunidade escolar) e analisou os hábitos digitais de 351 estudantes fora do ambiente escolar.
Os dados mostram que a maioria das crianças recebe o primeiro celular entre 10 e 12 anos e que, a partir dos 13, praticamente todos já possuem aparelho próprio.
Para 65% das famílias, o principal motivo para a entrega do celular é a segurança; outros 41% apontam a comunicação com colegas e 8% o entretenimento.
Ainda assim, 64% dos pais veem o excesso de telas fora da escola como o principal problema.
“Como parceiros das famílias, buscamos criar um ambiente de diálogo sobre os desafios do mundo digital. Além de educar crianças e jovens para o uso responsável da internet, discutimos cidadania digital, direitos, deveres e relações mais saudáveis com a tecnologia”, afirma Selma Moura, diretora brasileira da St. Nicholas School de Pinheiros e Alphaville.






