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O que descobri ao analisar cada hora do meu dia

O que descobri ao analisar cada hora do meu dia

Analisar cada hora do dia é um grande exercício de autoconhecimento e produtividade. Algumas conclusões exigem também algumas mudanças. Veja
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Poucas palavras estão tão populares ultimamente como produtividade. Aqui mesmo, na Consumidor Moderno, já abordamos o conceito algumas vezes e temos um especial sobre isso (que logo terá mais episódios). Em uma sociedade hiperconectada, hipersaturada de informações e afazeres, é natural que o uso do tempo de forma otimizada para fazer qualquer atividade seja uma preocupação. Após ler um experimento realizado pela Fast Company, no qual o jornalista mapeou cada hora do seu dia para entender como suas 24 horas são gastas, resolvemos testar essa ideia também.

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Passei as últimas duas semanas de trabalho (leia-se os cinco dias úteis, de segunda a sexta*, contando alguns dias antes do Carnaval) analisando cada ação realizada durante o meu dia. Tive gratas surpresas e pude chegar a algumas conclusões sobre mim mesma. Veja a minha divisão de tempo semanal:

Trabalho – 8,5 horas/dia

No geral, trabalho entre oito e oito horas e meia por dia. Muitas vezes porque acabo lendo algumas matérias antes mesmo de chegar à redação. E é curioso porque cada dia tem um andamento muito diferente do outro (dependendo da semana, claro). Em um panorama geral, divido o meu tempo de produção escrita com tarefas gerenciais, planejamentos, além de pesquisas para as pautas. Também tem o tal do telefone: nossa! Como ele toca e como fazemos ligações. Nesse ponto, talvez o pessoal da comunicação entenda melhor o que quero dizer.

Locomoção – 1,2 horas/dia

Decidi dar um espaço para essa análise pelo simples fato de viver em São Paulo. Todos sabemos como levamos tempo para ir de um lugar a outro nessa capital querida, não? Paulistanos, inclusive, tem o hábito de avaliar as distâncias em tempos e não em quilômetros. E faço uma ressalva aqui: meu meio de transporte é um dos mais ágeis da cidade – a motocicleta. Se não fosse por essa pequena ajuda, provavelmente eu gastaria facilmente perto de três horas por dia só para ir e voltar para casa em um dia comum. Espantoso quando colocamos na ponta do lápis.

Alimentação – 1 hora/dia

Levando em consideração café da manhã, almoço, pequenos beliscos durante o dia e jantar, 60 minutinhos são gastos. Pessoalmente, achei pouco. Claro que varia dependendo do dia (e da fome), mas, no geral, achei bem pouco perto das outras atividades. E nem posso dizer que o pouco tempo é devido a alguma dieta louca ou algo assim, asseguro: não é, deixei de ser adepta dessas técnicas faz um tempo já. Isso me fez refletir sobre o porquê comemos tão rápido e não paramos para usufruir de um momento tão maravilhoso e prazeroso quanto o ato de comer. E olhe que nos últimos meses aderi à prática que costumam chamar de mindful eating (atenção plena ao que está comendo) – e mesmo assim ainda acabo correndo. O aumento desse tempo entrou para as metas do ano.

Afazeres de casa: 1,5 horas/dia

Entre idas e vindas, pautas e entrevistas, também precisa existir o tempo para cuidar do lugar que me acolhe todos os dias: minha casa. É natural que na semana exista um tempo reservado para os pequenos fatos do cotidiano, como correr ao mercado para comprar algo essencial que acabou de repente, colocar o caos em ordem (louça, roupas e a caixinha de areia das minhas filhas, digo, gatas). Nada de novo.

Exercícios físicos e alimentos para a alma – 3 horas/dia

Essa “métrica” me surpreendeu e me deixou bastante feliz. Entre as loucuras do dia a dia, reservo, em média, três horas para cuidar da minha saúde física e mental. Neste tempo estão itens como exercícios físicos, estudos, leituras, séries, tempo de relaxamento, meditação e atividades ligadas às minhas preferências e buscas pessoais. Totalmente necessário, não é? Gostei do resultado, porém, ele pode ser muito melhorado ainda. A própria meditação poderia representar bem uma hora disso tudo, mas por enquanto está bem longe disso. Mais um objetivo.

Internet e redes sociais – 48 minutos/dia

Olha aí o mal do século. Até que fiquei feliz com essa métrica (no artigo da FC, o jornalista contabiliza 2,5 horas), mas, levando em consideração que esse tempo é totalmente inútil (poucos minutos são gastos em conteúdos realmente úteis, como notícias ou artigos – a maioria dos úteis contabilizei como trabalho ou alimento para alma), ainda é muito. Outra meta para o ano é diminuir esses minutos e aumentar meu tempo de atenção àquilo que realmente gosto, como livros ou mesmo séries. Também posso diminuir aqui para acrescentar um tempo a mais de dedicação aos momentos de alimentação, quem sabe?

Dormir – 7 horas/dia

Finalmente, esse é o tempo que utilizo para descansar diariamente (nos dias úteis, claro, nos fins de semana, com certeza deve ter alta nessa métrica). Levando em consideração que a média necessária para manter uma vida saudável é de sete a nove horas, estou bem nesse quesito. Na prática, acredito que ainda dá para melhorar (nem todo dia eu acordo com a sensação de que o tempo foi o ideal). Fora que, dependendo da semana, esse tempo cai para quase 6,5 horas, o que não é nada legal.

E qual é a conclusão disso tudo?

Primeiro, devo dizer que é muito interessante parar para analisar como as horas do dia são utilizadas. Isso dá uma noção diferente sobre si mesmo – o que leva mais tempo, o que demanda mais atenção, o que causa perda de tempo. Para quem está com problemas para organizar múltiplas tarefas ou mesmo sente que não está sendo produtivo o suficiente, o experimento é muito válido. É fato que não aprofundei minhas tarefas, no entanto, em alguns dias, anotei minuto por minuto e foi um tanto quanto assustador (fica bastante gritante os pontos que drenam o tempo útil, como um cafezinho ou mesmo aquela típica reunião que poderia ter sido resolvida com um e-mail). Esse monitoramento mais detalhado pode ser ainda mais interessante caso você esteja sofrendo de baixa produtividade.

Leia também: 21 razões para começar a praticar mindfulness amanhã

A noção de tempo é totalmente abstrata. Diversos experts no assunto apontam, assim, que tempo é a forma como você usa os minutos do seu dia (e não simplesmente a sua marcação no relógio). A especialista em gestão de tempo Tathiane Deândhela (colunista da Consumidor Moderno), no livro “Faça o tempo trabalhar para você”, defende que as pessoas que reconhecem o tempo como algo valioso acabam fazendo escolhas que trazem bons retornos e, inclusive, são indivíduos que respeitam mais o tempo dos outros (porque evitam atrasos, por exemplo). Fora isso, a gestão do tempo tem ligação direta com a inteligência emocional: afinal, se você der mais atenção à gratidão ou sentimentos felizes, mais saudável será sua mente.

Indo para o lado abstrato, o ponto é: o tempo é, simplesmente, nossa vida. De que forma você divide as suas horas para cuidar de você, para crescer, evoluir (profissionalmente, fisicamente, mentalmente, espiritualmente)? Sempre temos oportunidade de crescer (e descansar para o nosso cérebro processar tudo isso). Não quero provar nenhum ponto com essa experiência, mas fica o convite: conheça você também um pouco mais sobre você mesmo e o seu dia.

 

*Nota: ao meu ver, monitorar as horas do final de semana não fazia sentido nessa experiência

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