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Letramento digital: como ajudar crianças a fazerem um uso seguro da internet?

Letramento digital: como ajudar crianças a fazerem um uso seguro da internet?

Com parceria internacional, Anatel lança conjunto de cartilhas que orienta pais, educadores, formuladores de políticas públicas e indústria
Legenda da foto

Nesta semana, tivemos um avanço importante pela proteção das crianças na internet. Foram lançadas ontem, pela Agência Nacional de Telecomunicações, cartilhas que orientam pais, educadores, formuladores de políticas públicas e representantes de diferentes indústrias sobre o uso seguro da internet pelos pequenos. O material foi produzido pela União Internacional de Telecomunicações e traduzido para o português pela Anatel.

A iniciativa é fruto de uma parceria da Agência com a embaixada do Reino Unido e o Comitê Gestor da Internet (CGI.br), que entenderam a necessidade de auxiliar a navegação dos mais jovens desde os primeiros contatos deles com a rede mundial de computadores. No Brasil, dados da pesquisa TIC Kids Online mostram que houve um aumento significativo na proporção de usuários da internet com idade entre 9 e 10 anos. Quando olhamos para as crianças e adolescentes entre 9 e 17 anos, 90% deles já utilizam a internet.

O papel dos pais no uso seguro da internet

Os materiais disponibilizados pela Anatel são muito interessantes e divertidos. Uma das cartilhas produzidas para utilização dos pais é um livro de atividades para ser trabalhado com crianças pequenas, com menos de nove anos. O livro é conduzido por um personagem chamado Sango, nada mais, nada menos que um “telefone ninja”. Sango leva as crianças e os pais para situações do cotidiano, que no livro são vividas por outros personagens: Hugo, Tom, Amal, Zola, Kayla, entre outros. Todos crianças.

SANGO-NINJA-INTERNET

O “ninja” apresenta as situações e pergunta como os personagens deveriam agir em cada caso, dando duas opções de resposta e depois trazendo o gabarito. São tratados, de forma leve e simples, temas sobre o direito a brincar oline, o gerenciamento do tempo de uso da tela, a exposição a conteúdo impróprio, o direito a usar a mídia digital para aprender, questões de privacidade e a importância dos adultos serem modelos do uso positivo da internet para as crianças.

A proposta é que os pais leiam o livro junto com os filhos e conversem abertamente com eles sobre a maneira com que eles usam a internet, deixando um canal aberto para que ele relatem situações de desconforto, medos e tire dúvidas. É importante, segundo as diretrizes, que as crianças entendam que podem falar com os pais sobre tudo que acontecer no universo digital, sem medo de serem punidos.

É interessante que entre os personagens que Sango visita estão crianças diversas: pretas, brancas, que usam óculos, cadeirantes, meninos, meninas. Isso faz com que quem está acompanhando a história possa se identificar ainda mais com as situações retratadas.

CARTILHA-ANATEL-CRIANÇAS

Além do livro, foram publicadas as diretrizes para pais e educadores sobre Proteção On-line Infantil. Do material, vale destacar a ênfase de que no mundo conectado em que vivemos é importante que os pais apoiem as crianças e jovens para que possam se beneficiar da tecnologia de maneira segura. A dica é ter uma abordagem equilibrada e reconhecer a ampla gama de benefícios que a Internet pode oferecer.

Compreender isso, segundo as diretrizes publicadas pela Anatel pode ajudar os pais a se envolverem mais e acompanharem melhor as crianças nesse processo, garantindo que elas usem os sites de forma segura e responsável desde pequenas. A orientação é que os pais se familiarizem com os riscos e oportunidades que a internet representa, para saberem identificar ameaças em potencial.

Uma outra dica é que os pais saibam identificar bons sites, jogos de aprendizagem e entretenimento que possam usar com os filhos. Um bom site, segundo as diretrizes, terá uma página dedicada à segurança, links claros, mecanismos de denúncia e orientação para crianças de jovens. Conversar com os filhos sobre ser um “bom cidadão digital” também é importante, para que desde pequenos eles saibam o que compartilhar sobre si mesmos e sobre os outros e construam um pensamento crítico sobre o que vêem online, entendendo que nem tudo é verdade.

A conversa sobre como a tecnologia pode ser viciante e envolvente também é necessária. Chegar a um acordo sobre regras familiares para uso de dispositivos conectados é um caminho, que junto com bons exemplos dentro de casa, ajudam a construir hábitos de consumo consciente no meio digital.

Essas são apenas algumas das muitas dicas que compõem o material disponibilizado ontem pela Anatel.

Formuladores de políticas públicas e indústria como agentes de conscientização

No conjunto de cartilhas também foram feitas publicações voltadas para formuladores de políticas públicas e para indústria, entendendo que eles são potenciais agentes para as ações de conscientização.

As diretrizes para os formuladores de políticas públicas tratam de recomendações para criação de estruturas, implementação e desenvolvimento de uma estratégia nacional que dê mais segurança às crianças e adolescentes na internet. Segundo o documento, ao desenvolver uma estratégia para o país de proteção online infantil que promova segurança online de crianças e jovens, os governos nacionais e as instituições precisam identificar as melhores práticas e se envolver com as principais partes interessadas.

Isso inclui desde pais, educadores, comunidades de pesquisa e ONGs, até a própria indústria, operadores de banda larga e instituições de direitos humanos. Além de estar perto dos atores interessados no tema, é importante que se olhe para o que já existe de política pública a nível nacional e internacional, para investir no que funciona e ampliar o alcance dessas iniciativas.

Em relação às diretrizes para indústria, são abordadas as principais áreas de promoção e proteção das crianças, trazendo exemplos de boas práticas que sirvam de inspiração. A ideia é que as empresas que produzem tecnologia e conteúdo digital estejam atentas para identificar, prevenir e mitigar quaisquer impactos adversos de seus produtos e serviços para crianças e jovens. Algumas dicas de como fazer isso são:

  • Certificar que uma pessoa e/ou equipe específica seja designada como responsável por esse processo e assuma a liderança na promoção da proteção infantil online em toda a empresa;
  • Desenvolver uma política de proteção e salvaguarda da criança e/ou integrar riscos e oportunidades específicas relativas aos direitos das crianças e dos jovens nos compromissos das políticas de toda a empresa (por exemplo, direitos humanos, privacidade, marketing e códigos de conduta relevantes);
  • Integrar a devida diligência em questões de PIO aos direitos humanos existentes ou estruturas de avaliação de risco para determinar se o negócio ou indústria pode estar causando ou contribuindo para impactos adversos através de suas atividades.


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