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Pode levar. Já está pago

Pode levar. Já está pago

Nessa nova era, o varejista poderá dispensar áreas de caixa e dedicar-se a aproveitar o espaço para gerar mais e melhores experiências 
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O Money 20/20 encerrou-se na última quarta-feira (28), projetando uma grande mudança na maneira como consumidores usam dinheiro e meios de pagamento. Mudanças sensíveis que incorporam dispositivos, tecnologias e uma nova experiência na qual filas, senhas, espera por registro de autenticações ficarão num passado remoto. O futuro acena com modelos “toque e pague”, via NFC, em que dispositivos móveis e wearables podem substituir os cartões de crédito e débito, acessar e gerenciar diferentes contas bancárias, selecionar as melhores formas de pagamento, incluindo milhas e cupons e a segurança conta com sofisticadas camadas de encriptação.

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Nessa nova era, o varejista poderá dispensar áreas de caixa nas lojas (um pouco como Apple Store e Warby Parker já fazem atualmente) e dedicar-se a aproveitar o espaço para gerar mais e melhores experiências aos clientes, bem como espalhar dispositivos que coletem dados, reconheçam o cliente e possam gerar uma massa de informações que possa ser analisada e interpretada, no sentido de prover maior eficiência operacional e maior assertividade ao que é ofertado.

Ainda assim, esse futuro solar traz junto algumas questões para reflexão mais acurada:

1) Se os processos de pagamento são mais fluidos e quase desaparecem da vista do consumidor, será necessária uma mudança cultural significativa. Imaginem consumidores mais desinformados, particularmente em países emergentes, podendo ir às compras alegremente simplesmente aproximando ou notificando o que querem levar nos sistemas de coleta das lojas mais variadas. A famosa conta, a dolorosa, o total também desaparece da vista. “Pode comprar, já está pago” pode ser um poderoso estímulo mental. Claro que o cliente recebe notificações de todas as compras em tempo real. Mas nossa mente foi educada há décadas, séculos, a dispor de recursos para pagar compras variadas em um determinado momento. E isso já começou a mudar. E não se trata de pedir tutela de governos para proteger consumidores da “sanha consumista”. Mas sim, de estabelecer novos padrões de relações de consumo a partir das escolas, para que as novas gerações saibam como administrar seus impulsos e entenderem que o caminho para a compulsão ficou mais curto.

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2) O cerne dos novos meios de pagamento é proporcionar melhor conhecimento dos clientes. Dados serão coletados em quantidades inimagináveis, mesmo para os dias de hoje. Os investimentos em Inteligência Artificial são expressivos, justamente para inibir a proliferação de armadilhas de furto e fraude de dados. Um dos últimos painéis do Money 20/20 reuniu cientistas e lideranças de empresas como Microsoft, Bank of America e Fico justamente para mostrar como elas estão lidando com a segurança dos dados. As pesquisas hoje estão centradas em reconhecer e diferenciar comportamentos positivos daqueles maliciosos ou mal-intencionados. Não será surpresa se num futuro próximo sua conta for bloqueada porque você adotou um comportamento classificado como “suspeito” em sua rotina de consumo…

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Ainda assim, o Big Data vai afetar sobremaneira o modo pelo qual lidamos com a privacidade. O fato é que nossos dados têm valor e quando quisermos nos libertar das formas de pagamento convencionais em busca de maior liberdade e lógica no cotidiano, deveremos estar cientes que o custo será permitir que nossos comportamentos sejam devidamente mapeados. A contrapartida é que dados de consumidores com alta renda provavelmente terão mais valor. A permissão de uso desses dados poderá ser transacionada, revertendo em nova fonte de receita para esse grupo privilegiado. Um desdobramento natural é que grupos de consumidores menos abastados poderão se organizar e também comercializar a permissão para uso de dados, mais ou menos como os artistas fazem hoje em para obter direitos autorais.

Essas novas questões sinalizam efetivamente um novo paradigma cultural, social e econômico. O Money 20/20, ainda que apresentasse um conteúdo irregular, trouxe essas reflexões para a ordem do dia. O fato é que estamos no limiar de uma nova etapa de nossa relação com o dinheiro, as relações de consumo e com nossas próprias personalidades.

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As revistas Consumidor Moderno e NOVAREJO trarão diversos conteúdos, tanto nos sites, redes sociais quanto nas próximas edições impressas para levar aos nossos leitores todas as informações e desdobramentos do Money 20/20.

*Jacques Meir é Diretor de Conhecimento e Plataformas de Conteúdo do Grupo Padrão

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A busca incansável da excelência e a inovação como essência fomentam nosso espírito questionador, movido pela adrenalina de desafiar e superar limites – sempre com integridade.

Esses são os valores que nos impulsionam a explorar continuamente as melhores práticas para o desenho de uma experiência do cliente fluida e memorável, no Brasil e no mundo.

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CAPA: Camila Nascimento
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