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Bitcoin tenta ganhar espaço no Brasil

Bitcoin tenta ganhar espaço no Brasil

Criado em 2008 e independente de qualquer autoridade central, o bitcoin é uma moeda digital critptografada, cuja cotação girou em torno de 1,1 mil reais nas últimas semanas

Mais adotado como uma nova modalidade de aplicação financeira, o bitcoin tenta ganhar espaço no Brasil como meio de pagamento, e bolsas que negociam a moeda virtual aproximam-se de varejistas do país oferecendo serviços com taxas inferiores às cobradas pelas empresas de cartão de crédito e débito.

Estima-se que atualmente o bitcoin movimente mais de 240 milhões de dólares por mês na maior bolsa do mundo, a BitStamp, com sede na Eslovênia. No Brasil, a maior bolsa da moeda virtual, Mercado Bitcoin, movimenta o equivalente a 10 milhões de reais mensais.

Adotada mais frequentemente como uma nova forma de investimento ou para remessas de recursos ao exterior — principalmente por profissionais da área de tecnologia e do mercado financeiro –, o bitcoin é negociado por ao menos quatro bolsas no Brasil: Mercado Bitcoin, Bitcoin To You, Usecryptos e Bitinvest.

Algumas delas, como o Bitcoin To You, estão iniciando conversas com grandes varejistas no Brasil para convencê-los a aceitar a moeda virtual e, com isso, economizar em taxas de transações, que chegam a 2,5 por cento no caso do bitcoin ante 6 por cento no caso das credenciadoras de cartões de crédito.

Mesmo não sendo um meio de pagamento regulado, existem atualmente pelo menos 50 lojas e estabelecimentos de pequeno e médio portes que já aceitam bitcoins no Brasil, segundo sócios das principais bolsas. Na cidade de São Paulo, pelo menos dois bares já estão aceitando pagamento com a moeda digital.

André Horta, presidente da Bitcoin To You, lembra que, nos Estados Unidos, esse mercado está sendo impulsionado por grandes varejistas, como a Tiger Direct e a Overstock, que já receberam mais de 1 milhão de dólares este ano em pagamento via moeda virtual.

Criada em julho do ano passado, a Bitcoin To You movimenta 1 milhão de reais por mês em moeda virtual, tendo 5 mil usuários registrados. “Por enquanto, o bitcoin é usado mais como investimento. Mas esperamos que em pouco tempo a balança seja mais favorável para o lado do comércio, que é uma tendência mundial”, disse Horta.

Ronaldo Lemos, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, lembra que mundialmente o bitcoin começou a concorrer com os serviços bancários, sendo que recentemente surgiu até mesmo uma empresa especializada em empréstimos pessoais via bitcoins, a BTCJam, criada por um brasileiro morador de San Francisco.

“Para o comerciante, a vantagem são as taxas menores. E para o consumidor, não ter que ficar sujeito às mesmas bandeiras (de cartões)”, disse Lemos.

A Bitcoin To You pretende oferecer nas próximas semanas serviços de meios de pagamento a grandes varejistas como Ricardo Eletro e Magazine Luiza. A empresa desenvolveu um software que pode ser instalado em máquinas comuns de cartões e que faz automaticamente a conversão do valor do produto em bitcoin e que é capaz de acessar a carteira virtual do cliente.

Procurada, o Magazine Luiza informou apenas que o “assunto ainda está em estudo muito preliminar”. Já o Ricardo Eletro negou que o tema esteja em sua pauta.

“O bitcoin pode ser muito revolucionário”, disse Rodrigo Batista, sócio da Mercado Bitcoin, empresa criada no ano passado, após a compra do site de mesmo nome que operava desde 2011. “Ela traz imensas possibilidades, as ideias sequer surgiram ainda”, afirmou.

O executivo acredita que, com o tempo, as bolsas vão migrar para o negócio de meios de pagamento. O próprio Mercado Bitcoin lançará este mês serviços voltados para lojas físicas e online. A empresa está em fase de testes com três lojas de comércio eletrônico, disse ele.

Regulação e ataques

Um dos principais desafios para a massificação do bitcoin como investimento ou como meio de pagamento é o fato de a moeda eletrônica não ser regulada pelo Banco Central, nem pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

Outros países também estudam a moeda para chegar a uma melhor forma de regulá-la. Nos EUA, o Departamento de Justiça do país disse esta semana que terá de ser “criativo” para garantir que criminosos não utilizem as moedas virtuais para transferir recursos de forma anônima.

Em comunicado publicado em fevereiro, o Banco Central do Brasil afirmou que as moedas virtuais não têm garantia de conversão para o real. “Não há, portanto, nenhum mecanismo governamental que garanta o valor em moeda oficial, ficando todo o risco de sua aceitação nas mãos dos usuários.”

As carteiras de bitcoin também são vulneráveis a ataques virtuais. O mais conhecido deles foi o ocorrido no ano passado contra a Mt. Gox, casa de câmbio com sede em Tóquio que chegou a ser a maior do mundo em transações de bitcoins antes de fazer pedido de recuperação judicial.

A empresa declarou que perdeu quase todas as 850 mil bitcoins que mantinha, avaliadas em cerca de 500 milhões de dólares. No fim de março, a Mt. Gox informou que encontrou 200 mil das bitcoins desaparecidas em uma carteira online criada em um formato antigo e que se pensava que estava vazia.

O Mercado Bitcoin também foi atacado em março do ano passado, época em que ainda era um site administrado por uma pessoa física. Batista não forneceu números de quanto foi perdido pelos clientes, mas que sua empresa ressarciu os clientes do mercado.

Porém, André Horta, presidente da Bitcoin To You, afirmou que foi um dos clientes do Mercado Bitcoin que perdeu dinheiro no ataque. Segundo ele, as perdas foram de 50 mil reais. Até hoje ele afirma que não recuperou todo o dinheiro perdido e que estuda entrar com uma ação judicial.

Para Batista, do Mercado Bitcoin, uma eventual regulação da moeda digital pode ser positiva, para acabar com o “ambiente de incerteza”. Na opinião de Horta, da Bitcoin To You, a regulação poderia ajudar a atrair os varejistas. “Mas não queremos que restrinja (a negociação de bitcoins) a bancos e casas de câmbio.”

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