Para head da 3M, inovação passa por desburocratização de processos

Luiz Eduardo Serafim conta como a 3M desenvolve soluções inovadoras e como isso pode interferir no organismo de grandes empresas

Por: - 2 meses atrás

Mesmo que não saiba, é muito provável que você seja um consumidor da 3M. Seja em uma esponja para lavar louças ou em um Post-it para lembrar alguma tarefa, a empresa está presente em diversos segmentos da vida do brasileiro. Entretanto, você sabia que esses produtos correspondem a apenas 15% do faturamento da empresa? A maior parte dos recursos da empresa advém do comércio feito a indústrias das áreas de saúde, óleo o gás, entre outras. A empresa é reconhecida como uma das mais inovadoras do mercado e inclusive possui diversos tutoriais sobre o tema em sua plataforma.

Em entrevista à Consumidor Moderno, Luiz Eduardo Serafim – Head de Marketing, Comunicação e eCommerce da 3M -, falou sobre a importância de desburocratizar processos na engrenagem das grandes empresas.

Confira a íntegra da conversa abaixo:

Consumidor Moderno – Como a burocracia interfere no processo de inovação das empresas?

Luiz Eduardo Serafim – O problema é o excesso de burocracia, ela em si, enquanto processo organizador, pode não ser um problema. Se a organização não existir, não vai haver padronização, isso vai afetar produtividade e outros processos. O problema é quando isso vai para o extremo e torna as coisas exageradamente complexas. E o tempo da tomada decisões se prolonga e afeta o apetite da organização pelo risco e o empreendedorismo.

CM: Como a 3M do Brasil atua nesse sentido?

Uma das coisas que temos feito na 3M é investir nos chamados processos ágeis. Marketing ágil, onde desenhamos uma forma rápida de gestão de área dos quadros e com o time empoderado para tomar decisões imediatas. A outra coisa é sempre botar a boca no trombone, não deixar de questionar os processos. Falar quando o propósito é desviado e provocar a reflexão da própria organização.

CM: Quais são os benefícios de desburocratizar essas questões?

Isso vai muito além da aceleração de processos. A burocracia não pode nos impedir de atender o cliente. Falamos de customer centric, quando você coloca o cliente no centro dos processos e joga toda energia para agregar valor pra ele, que é o que importa para as organizações. Geralmente se gasta muita energia com isso. Então estabelecer esses limites é bom para não dissipar energia em coisas erradas.

CM: É necessário tirar aspecto negativo da palavra burocracia?

Essa é uma guerra perdida. A palavra já possui um aspecto totalmente negativo, mas ao mesmo tempo, você precisa ter a padronização de processos, o que não é necessariamente burocratizar. Principalmente em inovação, porque em determinado momento, isso fica caótico. É preciso assegurar essa cultura acessível e uma parte da inovação precisa passar por essa padronização. São vários aspectos que podem incluir ações como uma validação com o cliente, marcar reuniões, fazer estimativas financeiras. Pra funcionar de forma consistente, é preciso ter liberdade, mas também é preciso ter controle e disciplina. O importante é o ponto de equilíbrio nos processos.