Como não tornar as compras nos EUA em um pesadelo diplomático

As recentes notícias sobre adultos e crianças “detidas” preocupam os brasileiros que seguem para os EUA para as famosas compras. Veja dicas para evitar problemas com a imigração norte-americana

Por: - 2 semanas atrás

As recentes notícias sobre a deportação de brasileiros e até o aprisionamento de crianças nos Estados Unidos têm causado algumas preocupações entre os brasileiros que desejam apenas fazer as famosas compras em lugares como Miami. Afinal, o que as pessoas devem fazer ou considerar antes de realizar a viagem para a terra do Mickey, Pateta e companhia? Confira a edição online da revista Consumidor Moderno! A Consumidor Moderno conversou sobre as precauções que os consumidores devem ter antes de viajar para os Estados Unidos com Daniel Rosenthal, diretor da InvestUSA360, plataforma que oferece todas as informações e serviços para quem pretende se mudar ou investir em imóveis nos EUA. Uma das dúvidas mais comuns é: será que os americanos olham mesmo as redes sociais antes da concessão do visto? Veja o bate-papo.

Consumidor Moderno – O que é preciso observar (sob a ótica de documentos e deveres) para uma viagem de compras aos EUA?

Daniel Rosenthal – Primeiramente é preciso verificar se o passaporte e visto tem uma validade mínima de seis meses de validade. Do contrário, a pessoa poderá ter problemas já no embarque. A minha dica é levar uma cópia em mãos ou ainda digitalizar e até enviar uma imagem para o próprio e-mail. Dessa forma, em caso de perda, será mais fácil obter uma segunda via. Outra questão é fazer um seguro viagem – afinal, o barato pode sair caro. Normalmente, eles não são caros e funcionam não apenas para questões de saúde, mas para outros fins. Verifique também os benefícios do seu cartão de crédito, pois eles podem ajudar bastante nos EUA.  Além disso, não se esqueça de levar a carteira de habilitação, caso você alugue um carro. Não é necessário levar nenhum outro documento brasileiro, caso do RG e CPF. Eles não têm nenhuma validade e você ainda poderá perdê-los. E o mais importante: respeite o limite do seu visto e retorne antes do vencimento do seu documento para que as portas fiquem sempre abertas para futuras viagens e solicitações de vistos. Ah! Não se esqueça de ter em mãos todas as reservas de hotéis e passagens, pois, muito provavelmente, serão solicitadas novamente ao chegarem aos Estados Unidos.

A emissão ou as regras de visto mudaram?

Para os brasileiros, praticamente não ocorreram mudanças, apenas estão divulgando com mais intensidade as mesmas restrições às entradas e/ou permanências ilegais.

Eles observam as redes sociais mesmo? Quais comportamentos eles reprovam na hora de autorizar o visto de acesso aos EUA?

Para uma viagem de compras ou puramente lazer não é comum olharem as redes sociais. Na verdade, isso é mais comum na avaliação dos vistos de permanência ou de trabalho. Os profissionais que concedem ou negam vistos tem experiência e habilidade para avaliar as solicitações, que vão desde a postura comportamental e clareza nas respostas do solicitante, ou até mesmo a verificação dos vínculos familiares, profissionais e patrimoniais com o país de origem.  Minha dica: nunca minta para um agente de imigração.

Na hora da entrevista do visto, o que o brasileiro deve observar?

É preciso deixar claro para o agente americano que você vai, mas volta. Deixe claro seu vínculo com o Brasil, os motivos da sua viagem, o tempo de duração da viagem, o lugar da hospedagem, a data do retorno e que possui todas as condições de realizar justamente o que vai fazer nos EUA. Qualquer brecha em um desses requisitos será motivo para questionamentos, averiguações e, caso não esteja preparado, poderá facilmente seu visto negado.  Isso será um empecilho para um eventual novo pedido no futuro. Enfim, sua história deve ser coerente e verdadeira.

Quais os cuidados que os brasileiros devem ter com os filhos?

Evidentemente que os Estados Unidos não é o Brasil. Lá, as leis são respeitadas e as pessoas são punidas em casos de descumprimento. Aconselho as crianças a andarem identificadas e com uma cópia colorida do passaporte em mãos. Além disso, elas devem andar com um cartão do seguro viagem, um pouco de dinheiro e todos os contatos nos EUA e no Brasil, caso do telefone, endereços, e-mails, entre outros. Sugiro ainda deixar um telefone celular com um chip americano para facilitar o contato, caso os filhos se percam dos pais. Fora isso, muito cuidado com as mudanças alimentares e excessos.

Em solo ianque, além de observar a lei do país, quais comportamentos devem ser revistos pelos brasileiros?

Além de seguirem as leis, os americanos são pontuais e tem alguns hábitos interessantes. Um deles é que eles respeitam um limite físico de aproximadamente o raio dos braços abertos. Além disso, caso isso não seja possível, apenas peça licença (ou “excuse me”) ao passar por um americano.

Em caso de problemas, o que o brasileiro deve fazer em solo ianque?

Dependendo da gravidade, procure um policial ou acione o seu seguro de viagem. Procure também o consulado brasileiro mais próximo. Todos os locais públicos, caso de parques, outlets e shopping centers, costuma ter centros de informações e apoio ao turista.

No mais, o senhor recomenda bons locais para compras?

As oportunidades de liquidação estão sempre nos fundo das lojas. Entre e procure por “clearence”. As promoções têm descontos reais ou algo no formato “pague um e leve o segundo com 50%” ou ainda “pague dois e leve três”. Em grandes lojas de departamentos, caso da Macy’s, há cupons de descontos especiais para turistas. Para tanto, você deve apresentar seu passaporte para receber esta condição. Antes de ir aos outlets de grandes marcas, experimente visitar lojas de ponta de estoque, caso da Ross, Target, TJ Maxx, Marshalls e até mesmo o Walmart.