Mais de 19 mil casamentos homoafetivos foram realizados em três anos

Os números são do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e dizem respeito ao total de casamentos realizados nos cartórios de todo o País. Veja

Por: - 4 meses atrás

O mercado de consumo é sempre um reflexo da sociedade – e a nossa sociedade está mudando, como todos já sabem. Um dado divulgado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) mostra que ao menos 19,5 mil casamentos homoafetivos foram celebrados desde a edição da Resolução n. 175/2013. Editada há cinco anos, a norma obriga os cartórios a registrarem uniões entre pessoas do mesmo sexo.

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O último dado disponível, de 2016, indica uma tendência de queda dos matrimônios homo e heterossexuais. O Supremo Tribunal Federal (STF) reconhece a união estável de pessoas do mesmo sexo como núcleo familiar desde 2011. Ainda assim, cartórios negavam o registro aos casais, o que deixou de ser opção após a resolução do CNJ.

A partir disso, a norma impõe habilitar, converter a união estável em casamento e celebrar o casamento civil homoafetivo. Já a recusa dos cartórios em prestar os serviços enseja comunicado ao respectivo juiz corregedor e abertura de processo administrativo contra o cartório.

“O impacto na esfera dos direitos da personalidade é imensurável”, diz José Marcelo Tossi, juiz assessor da Corregedoria da Justiça de São Paulo. Juiz auxiliar da Corregedoria Nacional de Justiça à época da edição da norma, Tossi atuou em consultas e questionamentos quanto à aplicação da norma pelos cartórios.

Resolução aceita

“Ao final, a resolução acabou amplamente aceita e implementada.” A Constituição Federal prevê que a conversão de união estável em casamento deve ser facilitada. Por sua vez, a resolução admite matrimônio direto, sem união estável anterior. “Não havia justificativa jurídica para limitar o casamento aos heterossexuais, sem que igual direito fosse assegurado aos casais homoafetivos”, afirma Tossi.

Após a norma, as uniões homoafetivas cresciam ano a ano, até a primeira baixa, em 2016. O número caiu 4,6% — 5.354 registros ante 5.614, em 2015. Casamentos em geral também caíram 3,7%. Os dados são das Estatísticas do Registro Civil, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), obtidas junto a cartórios e outras fontes.

“A queda contraria nossa expectativa. Havia uma demanda reprimida antes de 2013. O que se viu nos anos seguintes foi reflexo da norma do CNJ. Quem vivia em união estável pôde se casar”, disse Klívia Oliveira, gerente da pesquisa. Para ela, a crise econômica pode ter freado noivos. “Casar, em regra, é caro.

CNJ/ divulgação

“Desde 2013, as uniões homoafetivas giram ao redor de 0,4% do total de casamentos. Dados prévios de 2017 — sujeitos a checagem até a publicação, em outubro — não indicam alta, segundo Klívia. “É possível que se estabilize nesse patamar”. Fora os casamentos, as uniões homoafetivas podem ter crescido.

Aumento em 2020

Nunca se apurou o total delas após a resolução, já que o Censo ocorre a cada dez anos. “O Censo 2010 captou 60 mil uniões estáveis de pessoas do mesmo sexo, mas a estatística de registro civil não cuida delas. É possível que, em 2020, tenhamos um aumento”, nota a pesquisadora.Acesso à Justiça e subregistro também afetam as uniões.

“Mutirões e casamentos coletivos incentivam os casais, enquanto a falta de acesso a cartórios dificulta. Se no interior é difícil registrar um filho, imagine um casamento”, diz Klívia. “A norma concretizou o direito de escolher o próprio parceiro. Demorou, mas fez valer a Constituição.”