Situação financeira faz metade dos brasileiros acreditar que não vive

Situação financeira faz metade dos brasileiros acreditar que não vive plenamente

Por: Raisa Covre 5.845 views

Estudo mostra que bem-estar financeiro dos brasileiros está baixo. Grande parte da população sente que não aproveita plenamente a vida por conta do orçamento

Uma vida financeira saudável envolve alguns quesitos. Para formatar o Indicador de Bem-estar Financeiro dos brasileiros, por exemplo, o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) analisa quatro pilares. Proteção contra imprevistos, controle sobre as finanças, compromisso com os objetivos financeiros e a liberdade para fazer escolhas que permitam ao indivíduo aproveitar a vida. Os dados do levantamento, que é realizado em parceria com pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), mostram que a saúde financeira dos brasileiros está baixa. E as razões são várias.

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De acordo com os últimos dados, 66% dos consumidores afirmam não estarem preparados para lidar com imprevistos. Nesse cenário, apenas 11% disseram ter a capacidade de lidar com despesas inesperadas, percentual que cai para 7% entre a população com idade entre 18 e 34 anos e sobe para 22% nas classes A e B.

Além disso, o estudo mostra que, no cenário atual, apenas 12% dos brasileiros têm condições de aproveitar a vida por causa da forma que administram o dinheiro. Cerca de 55% não possuem a condição de escolher livremente suas ações por causa do orçamento. Ao descrever sua situação atual de vida, 30% dos consumidores disseram que estão em uma condição de apenas sobreviver e não de viver plenamente.

Controle

Segundo o estudo, a preocupação com a possibilidade de o dinheiro que tem acabar descreve cerca de 28% dos consumidores. A sensação de que a situação financeira controla a própria vida acompanha 31% dos entrevistados. Mesmo assim, no geral, 42% nunca ou raramente deixam a desejar no cuidado com as finanças.

Lidar com a situação é uma questão de organização, como aponta José Vignoli, educador financeiro do SPC Brasil. “É importante que a pessoa assuma as rédeas de seu orçamento”, constata. É do controle que vem a possibilidade de honrar todos os compromissos financeiros e ainda garantir a realização de sonhos. Ao mesmo, possíveis emergências não trazem susto quando as contas estão equilibradas.

“Quando isto não é feito, a pessoa vive um ciclo vicioso, sempre correndo atrás de sair do aperto financeiro ou até mesmo do vermelho”, alerta o especialista. “O controle das finanças permite uma melhor definição das prioridades de onde o dinheiro será gasto, evitando o consumo desenfreado e, então, o endividamento”.

Futuro

O indicador também mostra que as reservas para o futuro dos brasileiros estão ficando de lado. 55% dos consumidores afirmaram que não estão assegurando o futuro financeiro, percentual que sobe para 61% na faixa etária de 18 a 34 anos, enquanto apenas 15% garantem o oposto.

Nesse quesito, 47% dos consumidores disseram acreditar que, por causa da sua situação financeira, alcançarão as coisas que querem na vida, mas 19% mostraram-se pouco confiantes a respeito disso.

Com relação ao dinheirinho de sobra no final do mês, apenas 10% da população consegue tal feito. No levantamento, 61% disseram que nunca ou raramente têm dinheiro sobrando no final do mês, percentual que sobe para 66% nas classes C, D e E.

Parâmetro

O nível de bem-estar financeiro de cada consumidor varia de acordo com respostas dadas em dez questões que avaliam os hábitos, costumes e experiências com uso do dinheiro. Numa escala que varia de zero a 100, quanto mais próximo de 100, maior o nível médio de bem-estar financeiro da população; quanto mais distante de 100, menor o nível.

Em março de 2018, o indicador marcou 48,0 pontos. O resultado não se distanciou da média dos últimos meses (47,6 pontos).  “A evolução do indicador é algo que depende não só da consolidação da melhora do cenário econômico, mas também de mudanças de hábitos dos consumidores em relação às suas decisões financeiras”, explica a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.

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