Falta de emprego está desequilibrando a saúde mental dos brasileiros

Falta de emprego está desequilibrando a saúde mental dos brasileiros

Por: Raisa Covre 7.604 views

Estudo mostra que ansiedade, angústia, problemas de sono e até alteração no apetite são alguns dos sintomas que estão afligindo os brasileiros. Entenda

Perder o emprego não é uma situação fácil. Ao fim do trimestre encerrado em janeiro de 2018, cerca de 12,7 milhões de brasileiros desempregados foram contabilizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Tal situação está mexendo na estrutura emocional dos cidadãos, aponta um novo levantamento realizado pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). Além das naturais complicações financeiras, a falta de trabalho gerou o desenvolvimento de baixa autoestima em 56% dos entrevistados pelo estudo.

Ao mesmo tempo, após perder o emprego, 45% dos brasileiros passaram a sentir-se envergonhados perante a família ou amigos próximos. Os principais sintomas psicossomáticos mapeados pelas entidades foram ansiedade (70%), insegurança em não conseguir um emprego (67%), estresse (64%), sensação de angustia (63%), desânimo (60%) e medo (59%).

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De fato, a preocupação com as contas tem grande influencia na saúde emocional do indivíduo. Até porque, além do aspecto psicológico, a situação tem interferência direta na vida cotidiana prática. Mesmo assim, a dica de José Vignoli, educador financeiro do portal ‘Meu Bolso Feliz’, é que os brasileiros tentem manter a serenidade e o equilíbrio emocional para superar esse momento. “Nos dias de hoje, o trabalho assume uma função importante de pertencimento e de identidade para as pessoas”, analisa. “Por isso, em muitos casos, perder o emprego faz a pessoa se sentir pouco produtiva e desorientada frente ao novo contexto”.

Emocional abalado

Segundo a pesquisa, o impacto emocional do desemprego já está gerando também impactos na saúde física dos brasileiros. Mais da metade (54%) dos desempregados desenvolveram alguma alteração do sono, seja insônia ou uma vontade maior de dormir. Outras alterações emocionais comuns por causa da demissão foram o aumento ou perda de apetite (47%), enxaqueca frequente (45%) e alteração na pressão arterial (35%).

Outro dado alarmante é o fato de 16% dos entrevistados apontarem que passaram a descontar a ansiedade em algum vício como cigarro, álcool ou compulsão alimentar.

Ao mesmo tempo, as relações interpessoais estão se abalando. Em cada dez entrevistados que perderam o emprego, seis (57%) sentem-se com menos vontade de sair de casa e 21% reconhecem que têm se mantido mais reclusos e afastados das pessoas. Em situação mais extremas, 11% dos desempregados passaram a cometer agressões verbais contra amigos e familiares e 8% partiram até mesmo para agressões físicas.

Auxílio

Muitos desses sintomas apresentados pela pesquisa podem estar ligados à depressão, doença que acomete 5,8% da população brasileira (maior índice da América Latina), segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Nesse contexto, é importante ressaltar que tais características não podem ser negligenciadas e procurar uma ajuda especializada pode ser a melhor opção.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece atendimento psicológico gratuito no CAPS (Centro de Atenção Psicossocial). O tratamento é oferecido por psicólogos, psiquiatras, enfermeiros, assistentes sociais e terapeutas e o atendimento abrange tanto sofrimento psíquico e transtornos mentais quanto dependência de álcool e drogas. Também é possível encontrar atendimento em hospitais-escola (espaços ligados a faculdades de psicologia que oferecem o serviço) ou mesmo em ONGs e outras empresas que se colocam à disposição do público para este tipo de auxílio. O Centro de Valorização da Vida também mantém atendimento gratuito 24 horas por telefone, email e até chat.

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