Roteiristas do Netflix revelam os segredos dos seriados de sucesso

Roteiristas do Netflix revelam segredos dos seriados de sucesso

Por: Natália Oliveira 5.377 views

No último dia do Rio2C, painel discutiu a estratégia por trás das narrativa das séries e dos filmes da empresa de streaming

Não é novidade que o Netflix revolucionou o mercado cinematográfico, mas desvendar como as produções são feitas é uma curiosidade de todos que já tiveram a oportunidade de usar a plataforma. Portanto, não foi à toa que a Grande Sala Petrobrás – a maior da Rio Creative Conference –, lotou para ouvir os roteiristas Natasha Ybarra-Klor, do México, e Pedro Aguilera e Felipe Braga, do Brasil.

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Os maiores desafios de produzir narrativas para o Netflix, segundo os idealizadores dessas histórias, é a universalidade dos conteúdos e a dinâmica do consumo das séries. “É um novo padrão de comportamento da audiência e isso nos obriga a criar uma nova forma de narrar”, afirma Felipe Braga, roteirista, diretor e sócio de Losbregas.

Para Braga, o Netflix possibilita à nova geração assistir, por exemplo, dez episódios em um único dia, o que era impossível de acontecer em séries de TV tradicionais. Essa dinâmica exige características muito próprias de narrativa. A co-criadora e a roteirista da série “Ingobernable”, Natasha Ybarra-Klor, conta que por causa disso, cada episódio precisa ter uma trama bem estruturada. Ao mesmo tempo, é preciso que haja uma unidade entre os episódios: “vão ter pessoas que só vão assistir aquele capítulo e outras que vão ver tudo num dia só”.

Original e universal

Outra dificuldade para os roteiristas da Netflix é escrever uma série original, que só possa ser produzida naquele tempo e local, e ao mesmo tempo que possa ser compreendida em mais de 190 países. A solução encontrada, de acordo com os participantes do painel, é investir em emoção. “Se é para ser triste, é muito triste. Se é para ser tenso, é muito tenso. Não tem meio termo. Acho que o que torna o roteiro universal é justamente ter a emoção como base”, considera Pedro Aguilera, roteirista da série brasileira 3%.

Para transformar uma obra local em um fenômeno global, Natasha acredita que mesmo usando uma linguagem com foco na emoção, há estranhamentos possíveis. “Nós, latinos, damos uma densidade para o amor e a morte, que os gringos têm dificuldade de compreender. Somos diferentes”, brinca a roteirista mexicana.

Divisão do trabalho

Ficou claro durante o painel que os conteúdos do Netflix são construídos a partir de uma grande parceria entre todas as partes envolvidas: produtores, roteiristas, atores, diretores e executivos da marca. Felipe Braga lembrou que, no Brasil, há uma cultura de superpoderes para os diretores, mas que isso não funciona para produtos como os da Netflix: “Para a gente construir uma série como a nossa, tem que ser colaborativo mesmo. Os atores precisam ser ouvidos no set. São eles os principais fios condutores das obras para as próximas temporadas”.

Esse exercício de trabalho coletivo, nem sempre é fácil como parece. Mas os roteiristas consideram que tudo se resolve com uma conversa para alinhar os objetivos do trabalho. “Todos devem concordar que o mais importante da série deve ser a história”, entende Natasha. “É muito bom o roteirista está na passagem no texto, porque ele mesmo está lá para saber se aquilo está funcionando para o ator, por exemplo, e fazer alguma alteração nas falas quando for preciso”, concorda Aguilera, que diz estar se adaptando e se inserindo na forma de produzir do Netflix.

Netflix: sonho possível?

Durante o painel, os roteiristas reforçaram o quanto a plataforma está aberta e sempre em busca de boas histórias, contadas de forma original. Segundo eles, o Netflix busca vozes de todos os lugares para levá-las a todos os lugares. No Brasil, em especial, parcerias têm sido feitas com produtoras pequenas: “Existe acesso. Tem que aproveitar esse momento para ser ousado”, acredita Felipe Braga. Natasha completa: “Se a pessoa lhe disse que não é o momento, não acredite, deixa ela para lá. É o momento sim”.

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