Rock in Rio: por que os ingressos esgotam antes do anúncio das atrações

Rock in Rio: por que os ingressos se esgotam antes mesmo do anúncio das atrações?

Por: Natália Oliveira 11.414 views

Durante o Rio2C, o CEO do evento afirmou que o sucesso da marca é resultado do foco na jornada cliente e da capacidade de criar memória afetiva em quem vai ao festival

Luis Justo, CEO do Rock in Rio, não tem dúvidas dos motivos que levam o festival a impactar 10 milhões de pessoas em todo o mundo. Curiosamente, a resposta está em uma pergunta: “O que a gente vende? ”. Se a marca vende shows de cantores renomados, por que os ingressos esgotam antes mesmo das atrações serem divulgadas?

Desde que surgiu, o Rock in Rio tem a ver com atitude. De acordo com Justo, o evento nunca foi só um festival de Rock, mas um grande projeto de comunicação com foco na experiência e na memória afetiva do cliente. “Nós vendemos hoje a lama do local onde aconteceu o RiR de 1985. As pessoas querem isso. Compram pelo que a experiência Rock in Rio representa”, afirma o CEO.

Entendendo a proposta de valor do Rock in Rio, a cada festival a marca faz questão e inovar a fim de ficar na memória dos frequentadores. No último ano, a equipe quis alcançar todos os cinco sentidos dos clientes. Para isso, foi feito um estudo para saber qual cheiro lembrava o Rock in Rio e esse cheiro foi espalhado desde as linhas de metrô que davam acesso à Cidade do Rock, até as áreas outdoor do evento. “São coisas que aparentemente passam desapercebidas, mas ficam registradas na memória afetiva do cliente”.

Nesse sentido, Justo conta que há uma “cidade” embaixo da Cidade do Rock só para passarem os fios do operacional do evento, sem que estes fiquem visíveis. “Teve um patrocinador nosso que disse que só renovou para o próximo ano porque até as flores que usamos em Lisboa tinham a cor da sua marca”, relata. “Os detalhes fazem parte da vivência de todos os envolvidos no festival”.

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Para o CEO, se preocupar com a jornada do cliente é essencial para consolidação das marcas nos dias atuais. “Vivemos a era da experiência”, afirma. Para defender essa tese, Justo usa como exemplo o café, uma commodity que pode custar um centavo na Bolsa de Valores e 24 vezes mais ao ser vendido na Nespresso. “O café viveu a era das commodities, dos produtos e dos serviços. Hoje, está vivendo a era da experiência. O Nespresso custa muito mais pela experiência que proporciona ao cliente”.

O grande exemplo de foco na jornada do cliente, para Luis, são os parques da Disney. Lá, segundo ele, até a localização das lixeiras é determinada pela observação de quantos passos o visitante dá em média com o lixo na mão até começar a jogar no chão. Justo tenta implementar essa técnica no Rock in Rio. Não as lixeiras, mas a ideia de ter pessoas junto aos clientes, observando as necessidades e reações deles a cada situação do festival. “É só olhando nos olhos de quem está no RIR é que vamos saber se nosso objetivo está sendo alcançado e se a experiência está sendo completa”.

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