Veja como a realidade virtual pode mudar a forma de consumir informação

Veja como a realidade virtual pode mudar a forma de consumir informação

Por: Natália Oliveira 5.808 views

A tentação de viver a notícia de dentro dela ou de usar a realidade virtual para entreter são alguns dos desafios da utilização da tecnologia em narrativas de não ficção

Seria mais fácil para você entender a gravidade da tragédia do rompimento da barragem da Samarco em Mariana (MG) se você conseguisse de alguma forma se sentir lá? Será que haveria mudança na legislação de armamento nos EUA se cada norte-americano pudesse simular que está dentro de uma escola durante um tiroteio? Esses são alguns exemplos do que a realidade virtual pode fazer quando aplicada ao jornalismo e em documentários de não ficção.

Durante o painel “Jornalismo & Doc VR” no Rio2C, a editora-chefe da Al Jazeera Digital, Zahra Rasool, debateu sobre o tema com Tadeu Jungle, sócio da Academia de Filmes e Junglebee. No campo dos documentários, a realidade virtual possibilita um resgate de memórias e, ao mesmo tempo, serve para trazer discussões muitas vezes esquecidas. “Com a VR conseguimos não só gerar memórias, mas reproduzi-las como forma de voltar no tempo e matar saudades”, conta Jungle.

Confira a edição online da revista Consumidor Moderno!

Atualmente, técnicas de realidade virtual e aumentada são muito usadas em games e filmes de ficção, mas sua aplicação em relatos reais ainda é muito recente. “É uma forma de contar histórias de um modo diferente do tradicional, mas que exige muita ética e escolhes por parte dos editores”, afirma Zahra. O uso da VR aumenta a vivência por parte do expectador, mas quando isso vale a pena? Para a editora da Al Jazeera Digital, colocar um aparelho de realidade aumentada em uma guerra, por exemplo, é algo exagerado e desnecessário: “É um choque de realidade nua e crua, que não muda a forma com que as pessoas sentem ou veem aquela história”.

Ao mesmo tempo, Jungle defende que a nova tecnologia não seja usada só para entretenimento, ou animação de momento, mas também para despertar as pessoas para realidades que desconhecem ou pensam conhecer e entendam como podem ajudar de alguma forma. “Poder reproduzir um fato jornalístico através de uma foto é uma arma jornalística. Como ela vai influenciar, se vai ser propício ou não, será uma discussão que teremos nos próximos anos”, acredita o sócio da Academia de Filmes e Junglebee.

Futuro: acessibilidade e interesse

Conforme a tecnologia vai se aprimorando, vai aumentando a qualidade da vivência proporcionada pelos produtos de realidade aumentada. “Mas será que um dia esse recurso será acessível para a sociedade?”. Foi esse o questionamento do mediador do painel, Fred Ritchin.

Zahra Rasool tem dúvidas quanto à possibilidade de massificação dos aparelhos de realidade aumentada. “É um aparelho muito grande, algo que ainda é de difícil acesso, caro. As redações jornalísticas têm orçamentos apertados. Para contar uma história em VR usamos a mesma quantidade de recursos do que para fazer dez matérias do jeito tradicional”, confessa a editora.

Já Jungle é mais otimista e diz que as novidades estão sendo incorporadas e barateadas o tempo todo no mundo. “A evolução tecnológica é muito rápida. Eu tenho certeza de que essa tecnologia também vai se popularizar, assim como as câmeras, os computadores, os jogos, os telefones. A realidade muda sem a gente sentir”, defende o produtor.

O que se pôde concluir no painel é que a realidade virtual aplicada às narrativas de não-ficção é algo muito novo, mas com um enorme potencial de transformar a forma de contar histórias e até mesmo vivê-las. “Você refazer uma cena tendo como base relatos, fotos e vídeos e vivenciá-la jornalisticamente em 3D já é possível. Isso é incrível”, conclui Jungle. Realidade Virtual, para os palestrantes, deve ser uma forma de transformar as pessoas e o mundo em que elas vivem.

*O Rio Creative Conference acontece até o dia 8 de abril na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro. Confira em nosso portal e nas redes sociais a cobertura completa.

Carregando...

Carregando... por favor, aguarde.