Entrevista: Hugo Rodrigues, um unicórnio em pessoa

Entrevista: Hugo Rodrigues, um unicórnio em pessoa

Por: André Jankavski 9.777 views

A Consumidor Moderno conversou com Hugo Rodrigues, CEO da WMcCann, para entender a visão de mundo de um executivo com perfil de unicórnio

Seria impossível não reconhecer Hugo Rodrigues em uma roda de conversa. Tanto pela voz potente como pela sua vasta cabeleira, que dá a impressão de ele ter mais do que os seus 1,90 metros de altura, quanto pelo o que ele representa para o setor. Rodrigues foi um dos grandes responsáveis por colocar a Publicis no Olimpo das agências do País.

Foi por lá que ele atuou durante 18 anos – os três últimos como presidente. Desde outubro, assumiu outro grande desafio: substituir o ícone Washington Olivetto como CEO da WMcCann. Logo em sua apresentação, o seu mais novo chefe Rob Reilly, global creative chairman da McCann Worldgroup, foi categórico: “Hugo é um unicórnio”.

Na conversa a seguir, Rodrigues fala um pouco da sua visão da publicidade.

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Após décadas no mercado, como o sr. analisa o atual momento do mercado publicitário?

Há mais de 15 anos, o Brasil é um sinônimo de criação e eficiência na publicidade. E não é só pelo carimbo dos maiores júris e festivais. Estou falando de brasileiro tocando agências em Nova York, na Europa, na Índia… O mercado de comunicação brasileiro é um exportador e a nossa balança comercial estaria superpositiva se este fator contasse. Não existe uma crise no mercado publicitário. O que existe é uma falta de objetivo claro de todos os participantes do mercado, como a agência, a mídia e o próprio cliente.

Como assim?

É uma frase que está na Bíblia: “Tudo não terás”. É necessário ter objetivo e projeto bem definidos. Não adianta pensar que a propaganda vai resolver todos os problemas de uma empresa. Uma marca não pode exigir que uma empresa de comunicação solucione todos os seus problemas. Se a companhia tem falhas de logística, preço ou sazonalidade, por exemplo, ela precisa cuidar disso para que a estratégia de comunicação seja realista.

Qual a sua visão sobre a pressão atual em cima do Facebook?

Se você pegar os últimos dois anos, já existiram várias polêmicas em torno da credibilidade dessas redes, não só com o Facebook. A questão das “fake news”, juntamente com a forma que eles trabalham os algoritmos, impactaram demais a imagem delas. Isso gera dúvidas de como, afinal, essas redes trabalham. Para o mercado publicitário é fundamental entender isso, pois estamos pagando muito para atingir as pessoas dentro dessas redes. E estamos em um impasse num momento com tantas dúvidas.

Regulamentação pode ser um caminho?

Talvez. Como no início não há uma regulamentação clara, parece que tudo vai ser resolvido de maneira mais rápida, mais assertiva e mais barata. E no início, claro, é uma lua de mel. Nada disso é uma novidade: antes de Facebook e Google, tivemos outras redes como MySpace e Orkut, que criaram as mesmas discussões. Precisaremos esperar para entender o que vai acontecer.

Mas como você enxerga o futuro dessa discussão, em especial no Facebook?

É um processo de maturação e que vai trazer perdas. Nos próximos 24 meses teremos uma impressão mais clara para onde vai o Facebook. Viveremos eras cada vez mais descartáveis.

Poderia explicar melhor?

Antes, você tinha marcas conhecidas e fortes por serem centenárias. Hoje, você pode ter uma marca ou produtos de altíssima fama e qualidade, mas que se dissolvem em dias. Vamos viver essa era do fugaz por algum tempo.

Como você enxerga o futuro do mercado de comunicação?

Acredito que os estudos de futurologia estão muito pretensiosos. De fato, acredito que vamos andar mais rápidos. Se antes precisávamos de dois anos para alterar a percepção de algo, vamos passar para poucos meses. Novas ferramentas e novas formas de atingir os consumidores e mercados também surgirão. Mas precisamos tomar cuidado com os profetas de plantão: acho pretensioso pensar e cravar o que vai ser daqui três anos. Não podemos cair de gaiato em qualquer promessa.

E como é substituir Washington Olivetto?

Não posso te dizer que estou me sentindo em casa. E mesmo na Publicis, onde eu trabalhei por 18 anos, também não tinha esse sentimento. Porque na hora que você tem esse sentimento, provavelmente vai parar de sonhar e de se desenvolver. Desta maneira, não conseguiremos evoluir nesse mundo tão avançado em que nos encontramos.

E, pelo visto, você também é fã de frases de efeito.

(Risos) Mas não são frases de efeito. Eu vou falando o que sinto e vai saindo naturalmente. Mas voltando à última pergunta, eu estou acordando todos os dias com a certeza de que a estrada vai ser de transformação e de aprendizado diários.

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