“Ninguém está feliz com o atual ambiente das redes sociais”, diz futurista

Entrevista: “Ninguém está feliz com o atual ambiente das redes sociais”, diz futurista

Por: André Jankavski 11.936 views

O especialista americano Alex Salkever fala do atual momento das redes sociais e as suas interpretações a respeito do futuro do Facebook

O americano Alex Salkever se considera um futurista. Para se dar determinada alcunha, no entanto, Salkever andou por vários caminhos no Vale do Silício. Participou de startups e chegou ao posto de vice-presidente da Mozilla, companhia que tem o navegador Firefox como um de seus principais produtos. Hoje, ele se dedica ao estudo das mudanças tecnológicas.

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Juntamente com Vivek Wadhwa, professor da Carnegie Mellon University, uma das melhores universidades de engenharia do mundo, Salkever escreveu três livros. Um deles – “The Immigrant Exodus: Why America Is Losing the Global Race to Capture Entrepreneurial Talent” – foi considerado “O livro do ano” pela conceituada publicação The Economist.

Em entrevista à Consumidor Moderno, Salkever analisa o atual momento das redes sociais:

O senhor acredita que o Facebook tem responsabilidade nos casos envolvendo a influência russa nas eleições americanas?

O Facebook definitivamente tem alguma responsabilidade por não ter controlado ou até mesmo parado as tentativas russas em 2016. Na publicidade americana, toda propaganda política precisa ter uma declaração explicando quem pagou por aquilo e até mesmo se eles possuem alguma ligação com um ou outro candidato. O Facebook em si não é obrigado a fazer esse tipo de cobrança, mas deveria ter feito. No que diz respeito às notícias falsas, essa rede social basicamente ignorou evidências claras do que estava acontecendo e nada faz para impedir. Notícias falsas ou questionáveis sempre têm uma impressão digital.

Mas o que o Facebook deveria ter feito para evitar esse tipo de problema?

Eles deveriam ter solicitado a divulgação das pessoas que estavam pagando os anúncios. Já na questão das notícias falsas, mesmo sendo muito mais complicado, poderiam ter colocado medidas simples de controle. Como, por exemplo, adicionar uma classificação de confiança aos links, para saber se a notícia era verdadeira ou falsa. Porém, ao tirar a divulgação de notícias do mural da rede, eles começaram a agravar o problema.

Na sua opinião, qual vai ser o papel das mídias sociais, especialmente do Facebook, nas próximas eleições ao redor do mundo?

Acredito que não terá tanto impacto a partir de agora. Essa mudança nos algoritmos vai barrar todos os tipos de notícias.

Facebook e Google dominam 60% da publicidade no mundo e controlam uma enorme quantidade de dados. Na sua opinião, eles precisam ter alguma regulação governamental ou, ao menos, mais regras para funcionar?

Com certeza. Eles precisam divulgar as identidades das organizações que investem na plataforma, assim como todos os momentos que elas pagam para impulsionar propagandas ou artigos de notícias. Os regulamentos não precisam ser pesados, mas devem exigir mais transparência e responsabilidade do próprio Facebook. Outro fator importante é criar um sistema de rastreamento que possa mostrar o local em que o conteúdo foi pago. Isso não é uma ciência de foguete, tratam-se de tecnologias simples.

Mas são simples de fato?

Quando se trata de fazer dinheiro, as empresas de tecnologia sempre arranjam um jeito de solucionar a maioria dos problemas. Não se pode ter desculpas para esse tipo de coisa. O futuro da democracia está em risco.

Algumas grandes companhias, como Unilever e P&G, já pressionaram e ameaçaram o Facebook por conta dos problemas no Facebook. O ssenhor acredita que esse movimento irá crescer?

Já está crescendo. Ninguém está feliz com o ambiente atual das mídias sociais com problemas relacionados à falta de transparência e notícias falsas. As marcas estão muito preocupadas se as suas propagandas vão aparecer próximas de links falsos. E devem estar, pois isso causa uma grande desvalorização.

Na sua opinião, o Facebook continuará com tanta influência no futuro?

Não. As gerações mais novas já não gostam de usar tanto o Facebook. Eles preferem redes como Snapchat e Instagram, mesmo que esta última seja do Facebook. Ao mesmo tempo, no entanto, essa influência ainda vai durar muitos anos, mesmo que esteja em queda. O Facebook continua sendo um participante fortíssimo do mercado.

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