Busyness: quanto custa aumentar sua capacidade cerebral?

Busyness: quanto custa aumentar sua capacidade cerebral?

Por: Raphael Coraccini 4.965 views

Pesquisadoras da Universidade do Texas denominaram de busyness a capacidade de aprimorar as habilidades cognitivas por meio do trabalho exaustivo. O efeito colateral, porém, pode ser bastante perigoso

Uma pesquisa realizada na Universidade do Texas apontou que as pessoas que são extremamente ocupadas alcançam melhor desempenho em testes de cognição, ou seja, apresentam melhor velocidade de processamento, memória de trabalho, memória de longo prazo, raciocínio e cristalização de conhecimento.

A pesquisa, desenvolvida pelas pesquisadoras Sara Festini e Denise Park, da Universidade do Texas, contemplou 300 adultos com idades entre 50 e 89 anos em diferentes ocupações. As pesquisadoras fizeram testes com os participantes e compararam com outros feitos há quatro anos, no início da pesquisa, para mensurar o aumento do desempenho.

O nível de ocupação foi baseado em um questionário que identificava com que frequência os trabalhadores se submetiam a tarefas árduas, de várias horas de duração, quantas tarefas exerciam em um dia, se iam para a cama mais tarde do que o horário normal com frequência por causa das atividades profissionais e se deixavam de comer por causa da sua programação.

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Mais do que melhora das habilidades, as pesquisadoras atestaram que a ocupação em altos níveis também reduziu o efeito do envelhecimento sobre a capacidade cognitiva. Os mais ocupados tendem a preservar suas habilidades com mais vigor que aqueles que possuem um estilo de vida mais descontraído.

“A motivação para esse trabalho veio depois de algumas pesquisas em nosso laboratório descobrirem que os adultos mais velhos que se envolveram em um novo aprendizado desafiador por um período prolongado mostraram benefícios em relação à memória”, disse Festini ao portal FastCompany, e acrescenta: “Queríamos ver se havia algum tipo de proxy de engajamento na vida cotidiana que também poderia estar relacionado ao desempenho cognitivo”.

Efeito colateral

Se exigir bastante do cérebro pode evitar o desgaste dele, há a possibilidade de esse tipo de exigência trazer danos consideráveis para o organismo humano como um todo. As pesquisadoras não abordaram os efeitos do “busyness” no corpo, disseram que a ocupação pode contribuir para altos níveis de estresse.

Durante a pesquisa de Festini e Park, as pessoas que relataram ser extremamente ocupadas chamavam seu estado de estressante. A questão delicada entre as pessoas com esse tipo de rotina é o nível de hormônios necessário para manter esse estado de alerta permanente que faz com que potencializem suas capacidades cognitivas.

Os níveis altos de estresse liberam o hormônio cortisol responsável por desligar temporariamente os sistemas digestivo e imunológico. Os efeitos são problemas de sociabilização e até mesmo mudança nos genes que podem afetar as gerações seguintes. Além disso, níveis altos de cortisol podem causar doenças cardíacas e câncer e até levar à morte.

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