Como seria a convivência natural entre humanos e robôs?

Como seria a convivência natural entre humanos e robôs?

Por: Jacques Meir 3.517 views

SXSW revela as pesquisas mais recentes da mecatrônica, a robótica dedicada a criar máquinas que andam, dirigem e trabalham. Elas farão bem ou mal? Entenda

Mais de US$ 1 trilhão será investido nos próximos cinco anos no desenvolvimento da inteligência das máquinas, robótica e automação. Já em 2017, US$ 20 bilhões foram investidos em máquinas que começaram a andar, dirigir e trabalhar entre seres humanos. O SXSW trouxe mais um painel com conteúdo dedicado a exploração das oportunidades para investidores, inovadores e empreendedores interessados no potencial da mecatrônica capaz de provocar profundo e positivo impacto social. “Investindo na economia autônoma” foi o tema do debate que reuniu: Daniel Burstein, sócio-gerente da Millennium Technology, Eric Daimler, assessor especial de inovação no governo Barack Obama e Oliver Mitchell, sócio da Autonomy Ventures.

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O termo “Inteligência Artificial” ganhou relevância média encarado como disciplina séria no princípio dos anos 80. De lá para cá, os estudos de Richard Dreyfus direcionaram as habilidades humanas daquelas que poderia ser aplicadas nas IAs. Seus textos dos anos 70 estão em cheque. Desde que as IAs venceram de modo inapelável os homens no game Jeopardy e começaram elas mesmas a desenvolver filhotes de si mesmas, o potencial delas parece romper todas as fronteiras. Dan Burstein diz que a discussão agora não está centrada em tecnologia, mas cada aspecto da vida humana: guerra e paz, política, economia, sociedade, toda a civilização vai sofrer os impactos da ascensão irreversível da IA.

Eric Daimler conta que em 2003 estava no meio do deserto, na Califórnia, e havia um carro autônomo. Apenas 18 meses depois, times da Carnegie Mellon e de Stanford já tinham três carros autônomos em testes. 18 meses depois, o Google começou a desenvolver seus carros. A velocidade, a escala e o ritmo dessa evolução é difícil de compreender e mais ainda de acompanhar.

Produtividade x trabalho

A automação como disciplina nasceu há milhares de anos. Toda vez que os homens procuraram formas de aumentar a produtividade, pensaram em formas de automação. E essas inovações não exatamente eliminaram empregos, mas propiciaram a criação de novos tipos de trabalho. Hoje, o desenvolvimento das IAs é tão espantoso que podemos falar em uma “economia autônoma”, caracterizada pela criação de negócios que serão criados e/ou modificados pelo uso de IAs capazes de realizar tarefas autonomamente e sem intervenção humana direta.

Burstein lembra que, nos anos 90, os revendedores de carros reclamaram da possibilidade de se vender carros on-line, sem respeitar “regiões” predefinidas para cada revenda. Isso significaria que um carro poderia ser vendido para qualquer um em qualquer lugar. Da mesma forma, a economia autônoma vai redesenhar e reconfigurar modelos, propósitos, hábitos e o cotidiano das nossas vidas. Basta fazer um exercício na própria indústria automobilística: o jeito de se locomover, de parar, usar o automóvel vai mudar completamente. Da mesma forma, a indústria médica será modificada. Os cirurgiões serão substituídos por robôs, mais precisos para operar e insensíveis à emoções.

Política pública

O governo norte-americano já tem uma política nacional de robótica desde 2011, em parceria com as Universidades Carnegie Mellon e Georgia Tech. Todas as implicações do desenvolvimento da robótica, no campo do trabalho, da ética e das aplicações já estão sob o radar de instituições públicas. Isso porque a liderança norte-americana nesse campo não está assegurada. “É necessário engenheirar um design eficiente de nossa capacidade robótica”, afirmou Eric. A automação no passado foi usada para substituir músculos, mas agora é usada para melhorar a nossa capacidade de predizer eventos. Com base nos dados coletados, as máquinas podem inferir quais os melhores caminhos a serem seguidos.

A reflexão é necessária quando consideramos que a robótica e as IAs não estão no radar de nossos políticos no Brasil. A agenda de racionalidade macroeconômica domina nossos debates e esteriliza o debate, afastando o país do centro das questões globais que são urgentes e difícil.

Educação robótica

Como lidar com as pessoas que serão vítimas robóticas? Robôs e IAs poderão desempenhar tarefas distintas e de modo incansável. Como preparar comunidades e populações a conviver e a compreender o alcance e a presença de robôs em seu cotidiano? Haverá regulação para a coexistência pacífica entre humanos e robôs?

As escolas, por sua vez, irão preparar os alunos para uma economia autônoma que prescinda mão de obra humana para produzir? E quais carreiras farão parte dos currículos educacionais em uma era dominada pelas IAs?

São questões inquietantes que precisam agora da nossa reflexão. Se por um lado precisamos lidar com questões econômicas e políticas que impedem nossos atraso como nação, é preciso colocar esses assuntos na agenda. A evolução da Inteligência Artificial e da robótica infelizmente anda mais rápido que o ritmo brasileiro. Há o risco grande de sermos uma nação com mão de obra obsoleta e empresas descoladas dos eixos produtivos globais.

A economia autônoma é uma realidade e traz desafios urgentes.

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